Após perdas, Petrobras surpreende com lucro maior que o esperado

Alta do preço da gasolina e do diesel ajudaram a chegar ao resultado de 5,33 bilhões reais

Diretoria da Petrobras divulga os resultados do 1º trimestre de 2015
Diretoria da Petrobras divulga os resultados do 1º trimestre de 2015Agência Petrobras

Depois de perdas e escândalos de corrupção em 2014, a Petrobras lucrou 5,3 bilhões de reais no primeiro trimestre deste ano. O número representa uma queda de 1,2% em relação aos 5,39 bilhões de reais de lucro líquido registrados nos primeiros três meses do ano passado, mas foi melhor que o projetado por analistas que previam lucro de cerca de 2,5 bilhões. A estatal atribui o recuo em relação a 2014 principalmente à desvalorização do real em relação ao dólar.

O resultado, que reverte uma tendência negativa, é o primeiro sob a nova diretoria da estatal comandada por Aldemir Bendine e chega menos de um mês após a divulgação do aguardado balanço auditado referente ao 4o trimestre de 2014. Nele a estatal revelou prejuízo de 26,6 bilhões influenciado por desvios identificados com a Operação Lava Jato.

O lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em 1,518 bilhões de reais de janeiro a março de 2015, um crescimento de 50% sobre um ano antes. "Este resultado é explicado, sobretudo, pela maior produção de petróleo, pelas maiores margens nas vendas de combustíveis no Brasil e pelos menores gastos com participações governamentais e importações", disse, em comunicado, o presidente-executivo, que substituiu Graça Foster em fevereiro.

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A companhia destacou que obteve no trimestre efeito integral dos aumentos de 5% no preço do diesel e de 3% cento no valor da gasolina. Com esses reajustes e a queda dos preços do petróleo, a Petrobras vendeu os combustíveis no Brasil com um prêmio em relação ao externo, algo que não acontecia há alguns anos.

O volume de venda de derivados no mercado interno no primeiro trimestre de 2015 totalizou 2,2 milhões de barris por dia, uma redução de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A receita líquida atingiu 74,353 bilhões de reais, queda de 8,8% em igual base comparativa. Também sob impacto do câmbio, a dívida líquida da empresa avançou 18%, 282 bilhões de reais, em dezembro de 2014, para R$ 332 bilhões.

Menos investimentos

Nem todos os indicadores foram positivos.  Os investimentos da estatal caíram 13% em relação ao primeiro trimestre de 2014 e totalizaram 17,8 bilhões de reais. O foco dos investimentos foi o segmento de Exploração e Produção no Brasil, que recebeu 79% dos recursos, com destaque para os projetos de aumento da capacidade produtiva.

A estatal informou que terminou o trimestre com R$ 68,2 bilhões em caixa. "As despesas operacionais caíram 22% nesse período, principalmente porque em 2014 foi lançado o programa de demissão voluntária", disse Mario Silva, gerente executivo de desempenho empresarial.

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