Na CPI, ex-deputado atribui a Lula promoção de delator na Petrobras

Condenado no mensalão diz que petista decidiu ascensão de diretor Paulo Roberto Costa

Curitiba -
Nelma Kodama, exibindo para a CPI onde levava o dinheiro: no bolso, e não na calcinha.
Nelma Kodama, exibindo para a CPI onde levava o dinheiro: no bolso, e não na calcinha.Geraldo Bubniak (Agência O Globo.)

Apesar de anunciar que permaneceria calado, o ex-deputado Pedro Corrêa, condenado no escândalo do mensalão, acabou falando bastante no segundo dia de trabalhos da CPI da Petrobras em Curitiba. Corrêa é um dos integrantes do PP acusados de participar do esquema de desvios na estatal – é a legenda que acumula o maior número de acusações e investigados na Operação Lava Jato. Assim como o doleiro Alberto Yousseff na segunda, Corrêa fez questão de defender que a estratégia para desviar recursos da petroleira era multipartidário. Ele atribuiu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decisão de promover o então diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e não apenas ao PP. Costa é agora delator do esquema ante a Justiça.

Corrêa, o ponto alto da sessão ao lado da doleira Nelma Kodama, disse que Costa foi promovido pelo "belo trabalho na presidência da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S/A, o que o credenciou junto ao Planalto” e como resultado da pressão de parte da base aliada na Câmara, que o queria no cargo.

O ex-deputado do PP também comentou que há desejo dos inimigos de Lula de "botar ele na cadeia", mas ninguém se atreve, segundo o político, porque despertariam ira popular como no suicídio de Getúlio Vargas, em 1954.

Foi o segundo dia consecutivo em que acusados no esquema da Lava Jato citaram Lula e seu Governo. Na segunda, o doleiro Alberto Yousseff disse ter o "sentimento" de que o ex-presidente e a cúpula de seu Administração sabiam do esquema de corrupção na estatal.

Lula se manifestou, por meio de nota de sua assessoria, para retrucar as acusações de Yousseff: "É inacreditável que um bandido com oito condenações, que já enganou a Justiça num acordo anterior de delação premiada, tenha palco para atacar e caluniar, sem nenhuma prova, algumas das principais lideranças políticas do país".

Os trabalhos da CPI estavam previstos até quarta-feira, mas pela negativa de vários depoentes em responder aos questionamentos, foram encerrados no final desta terça.

Denúncia de escuta ilegal 

Os bastidores da Operação Lava Jato acabaram sendo agitados por um fato ocorrido fora da CPI. Uma conversa informal entre o delegado Mário Fanton e um agente da polícia federal em Curitiba terminou com a abertura de investigação sobre uso de escuta ilegal para ouvir conversas do doleiro Alberto Youssef. O processo é conduzido pela corregedoria da Policia Federal em Brasília.

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Segundo o agente que fez a denúncia, ele recebeu ordens diretas de Rosalvo Ferreira Franco, atual superintendente da PF no Paraná, de Márcio Anselmo e Igor Romário de Paula, doisdos delegados mais atuantes na operação Lava Jato, para instalar a escuta entre o forro e a laje da cela. O equipamento foi encontrado pelo próprio doleiro, que questionou a existência de alvará para a ação. Ao ouvir a negativa, procurou seu advogado, Antônio Figueiredo Basto, que anunciou medidas drásticas em caso de confirmação dos fatos, como uma ação judicial para anular toda a Operação. “Se isso for verdade, é um fato gravíssimo. É uma mancha terrível para a Lava Jato. É um meio de prova totalmente nulo, que pode invalidar toda a operação”, disse.

A Polícia Federal ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

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