Relações diplomáticas

Raúl Castro visitará o Papa Francisco

O Vaticano anunciou em abril que o Pontífice viajará à ilha em setembro

Raúl Castro, no 1º de maio em Havana.
Raúl Castro, no 1º de maio em Havana.Ramon Espinosa (AP)

O presidente de Cuba, Raúl Castro, realizará no próximo domingo, dia 10, uma visita “estritamente particular” ao papa Francisco no Vaticano, informou nesta terça-feira o porta-voz oficial da Santa Sé, Federico Lombardi.

“Como sabemos, o presidente Raúl Castro agradeceu publicamente ao Papa por seu papel na aproximação entre Cuba e os Estados Unidos”, diz o comunicado emitido pelo Vaticano. A instituição já anunciou em abril que o Pontífice viajará à ilha em setembro, antes de iniciar sua visita aos Estados Unidos, para reforçar o processo de aproximação dos dois países.

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O encontro do próximo domingo é, além disso, um sinal de melhora nas relações entre Cuba e o Vaticano. Embora nunca tenham sido rompidas, as relações deterioraram-se bastante durante a revolução (1953-1959). O momento mais tenso, no entanto, foi no início do castrismo, quando se declarou o caráter marxista-leninista e certos setores do clero, vinculados ao poder político, reagiram contra o novo regime. Em 1963, dos 800 sacerdotes católicos recenseados só 200 permaneciam em atividade.

Em 1986, o I Encontro Nacional Eclesiástico Cubano marcou um novo rumo nas relações entre a ilha e a Igreja. A partir de então, as visitas de autoridades do Vaticano a Cuba se normalizaram até que, em 1998, teve lugar a histórica viagem de João Paulo II à ilha, em que o falecido Pontífice lançou sua famosa frase: “Que Cuba se abra para o mundo e que o mundo se abra para Cuba”.

Esse encontro iniciou um período de “lenta, mas progressiva melhora”. A proibição das procissões públicas foi suspensa, o Natal foi restaurado como festa oficial, o ingresso de sacerdotes e religiosas na ilha foi autorizado e, em 2010, foi inaugurado em Havana o primeiro seminário em 50 anos. Um ano depois, Bento XVI era o segundo pontífice a viajar a Cuba e o fazia como “peregrino da Caridade”, nome da padroeira do país.

No próximo domingo será também a segunda visita de um Castro ao Vaticano. A primeira foi a de Fidel em 1996.