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Barco afunda em águas líbias e deixa 700 imigrantes desaparecidos

Itália teme que muitos tenham morrido, no naufrágio mais trágico do Mediterrâneo

Imigrante resgatada desembarca em Palermo no sábado.
Imigrante resgatada desembarca em Palermo no sábado. REUTERS

Um barco de pesca de cerca de 30 metros de comprimento, lotado de imigrantes irregulares, naufragou na virada de sábado para domingo a 73 milhas marítimas (cerca de 135 quilômetros) da costa da Líbia, enquanto o navio mercante King Jacob já se aproximava para socorrê-lo. A Guarda Costeira italiana confirma que só 28 pessoas foram resgatadas com vida. Teme-se que haja mais de 700 vítimas, o que tornaria este naufrágio o mais trágico já acontecido no Mediterrâneo.

Segundo as primeiras reconstruções dos fatos, quando as autoridades italianas receberam o pedido de ajuda do pesqueiro que levava os imigrantes, orientaram um barco português que estava nas proximidades a ir rapidamente ao local. Ao vê-lo, os imigrantes, tomados de pânico e amontoados de maneira quase inacreditável, moveram-se para um dos lados do barco, fazendo-o virar.

Essa versão foi confirmada por Carlotta Sami, porta-voz da Acnur (a agência da ONU para os refugiados) na Itália. Ela disse que, durante o trabalho de resgate, os sobreviventes afirmaram que mais de 700 pessoas estavam no pesqueiro. A Guarda Costeira, a Marinha italiana e a Marinha de Malta –a tragédia aconteceu perto da ilha— já estavam na região à procura de possíveis sobreviventes.

A porta-voz da Acnur alertou sobre a escala da catástrofe: "Caso sejam confirmados os números, nos últimos dias terão morrido mais de 1.000 imigrantes no Mediterrâneo".

E isso porque apenas começou o clima favorável. Segundo relataram ao EL PAÍS fontes a agência europeia de controle de fronteiras (Frontex), a travessia de imigrantes para a Europa vai disparar com o tempo bom no Mediterrâneo –como se viu nas primeiras semanas de abril e como aconteceu em 2014— e levar ao risco de "aumentos importantes, que provocarão sem dúvida nenhuma um acúmulo de situações preocupantes" para a totalidade do ano. No ano passado mais de 3.200 homens, mulheres e crianças perderam a vida ao tentar cruzar o Mediterrâneo em direção à Europa.

Mogherini: "É hora de agir"

A chefe da diplomacia europeia, a italiana Federica Mogherini, pediu aos Governos da União que apoiem ações para proteger os imigrantes no Mediterrâneo. "Já dissemos vezes demais 'nunca mais'. Agora é hora de a União Europeia lidar com essas tragédias sem demora", afirmou a Alta Responsável de Política Exterior europeia em comunicado. "Precisamos salvar vidas humanas todos juntos, assim como todos juntos precisamos proteger nossas fronteiras e lutar contra o tráfico de seres humanos."

Os ministros do Exterior da UE discutiram a questão numa reunião em Luxemburgo, acrescentou Mogherini.

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