Separatistas pró-Rússia de Donetsk anunciam mobilização geral

O objetivo é reunir com Lugansk, região também independentista, uma força de 100.000 milicianos

Alexander Zakharchenko, nesta segunda-feira, em entrevista à imprensa.

Os rebeldes de Donetsk, no leste da Ucrânia, preparam-se para mobilizar dezenas de milhares de homens. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pelo presidente da autoproclamada República Popular de Donetsk (RPD), Alexander Zakharchenko. As declarações do principal líder separatista foram feitas em meio ao recrudescimento dos combates na região e de fracassos diplomáticos na hora de pactuar um cessar-fogo e criar uma zona de exclusão da artilharia pesada entre as partes em confronto.

O ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, que se encontrava em Pequim, afirmou que os Estados Unidos estão apoiando incondicionalmente Kiev em uma política que só busca resolver o conflito por meio da força.

“Dentro de 10 dias, na RPD haverá uma mobilização geral com a finalidade de elevar o número de membros do nosso Exército até 100.000 homens”, declarou Zakharchenko à Agência de Notícias de Donetsk (DAN). O líder rebelde, que se referia às forças conjuntas da RPD e de Lugansk, acrescentou que o alistamento “será voluntário” a princípio, mas, se os dirigentes não conseguirem recrutar o número necessário de combatentes, o Governo separatista declarará a mobilização geral obrigatória.

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Zakharchenko justificou esses planos pela concentração de tropas que, segundo suas informações, Kiev está promovendo ao sul da cidade, “certamente para atacar”. “Temos de equilibrar a situação. Temos tempo até a primavera. As novas unidades poderão completar sua preparação militar. Dessa mobilização esperamos poder criar no mínimo cinco brigadas suplementares: três de infantaria mecanizada, uma de artilharia e uma de tanques”, explicou. Com essas forças, Zakharchenko está seguro de poder rechaçar qualquer ataque.

Kiev começou em 20 de janeiro a primeira mobilização das três planejadas para este ano. Nesta etapa os militares pensam em convocar 52.000 homens e um total de 104.000 ao longo de 2015. No entanto, a campanha de mobilização está encontrando dificuldades, como reconheceu o ministro da Defesa, Sepan Poltorak, que afirmou que só conseguiram recrutar uma quinta parte do contingente de forças planejado. No início de 2014, o Exército da Ucrânia estava formado por 168.000 militares. Em janeiro o total passou a 182.000.

Zakharchenko insistiu em que não haverá conversações de paz em Minsk até que Kiev nomeie um representante oficial. “Primeiro, tenho de ter claro com quem nos reunimos, ou seja, a Ucrânia tem de apresentar um documento oficial no qual nomeie seu representante. E, segundo, do nível desse representante oficial dependerá se irei ou não à Belarus, e decidirei se vale a pena encontrar-me pessoalmente com ele”, detalhou. Até o momento, o ex-presidente ucraniano Leonid Kuchma representava Kiev, mas, segundo Zakharchenko, ele estava ali como “um particular” porque não tinha sido nomeado oficialmente.

As perspectivas de continuar com êxito as conversações de paz são neste momento muito escassas. O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, declarou que a “retórica” do presidente norte-americano, Barack Obama, “mostra que Washington tem a intenção de continuar fazendo todo o possível para endossar incondicionalmente as autoridades ucranianas que, pelo visto, decidiram optar por uma solução militar para o conflito”. Lavrov fez essas declarações em resposta a uma pergunta sobre a informação publicada no domingo por The New York Times, segundo a qual o Governo norte-americano está estudando a possibilidade de entregar armas à Ucrânia.

Os bombardeios da artilharia contra Donetsk continuaram na noite de domingo para segunda-feira, segundo constatou a Prefeitura local em um comunicado, no qual relaciona um total de quarenta edificações danificadas. Além disso, acrescenta que durante o fim de semana morreram 15 pessoas e 32 civis ficaram feridos.

Em São Petersburgo, o Comitê de Mães de Soldados pediu à representante plenipotenciária de Direitos Humanos na Rússia, Ela Panfilova, que comprovasse as queixas de quem garante que militares estão sendo recrutados para ser enviados a combates no leste da Ucrânia. Elas também recorreram ao Ministério Público e ao Ministério da Defesa, mas não obtiveram nenhuma resposta. Panfilova declarou que já tinha exigido das autoridades competentes as informações necessárias e que está disposta a investigar a situação.

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