Sexto ato contra a tarifa vai até a casa de Haddad e não tem repressão

Manifestantes entregaram, simbolicamente, o 'troféu catraca' ao prefeito

Manifestantes na Avenida 23 de Maio, nesta quinta.
Manifestantes na Avenida 23 de Maio, nesta quinta.M. Schincariol (AFP)

Se já estivesse em casa, Fernando Haddad (PT), teria recebido uma visita surpresa no final da tarde desta quinta-feira. Milhares de manifestantes se dirigiram até a frente da casa do prefeito de São Paulo, na rua Afonso de Freitas, no bairro do Paraíso, para protestar contra o aumento da tarifa do transporte público na cidade.

O sexto ato contra a tarifa teve início no MASP, na Avenida Paulista, por volta das 18h30. Pouco depois de iniciar a tradicional assembleia para decidir o trajeto da marcha, uma pequena passeata de professores da rede pública do Estado de São Paulo chegou para se juntar ao movimento. Com faixas de protesto contra a falta d'água no Estado e contra a demissão de professores, a categoria aderiu à manifestação, que, no início tinha 5.000 pessoas segundo os organizadores.

Para Andreza Delgado, do MPL, outras organizações aderirem à marcha é um sinal de que o movimento pode começar a crescer mais. "Acho que é sintomático", diz. "Nós não somos os donos da luta".

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O trajeto seguiu pela Avenida Paulista em direção ao bairro do Paraíso. Em frente à casa do prefeito, o MPL entregou, simbolicamente - já que Haddad ainda não havia chegado em casa ainda - o 'troféu catraca 2015', uma catraca dourada, que foi erguida em frente ao prédio onde o prefeito vive. "Achei que ele vivesse em um palácio", disse uma manifestante, que, até então, não sabia onde o prefeito morava, um prédio de classe média na zona sul da cidade.

Da casa de Haddad, a marcha seguiu para a Avenida 23 de Maio em direção à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, onde terminou, de forma pacífica, por volta das 22h. De acordo com o MPL, o movimento reuniu 7.000 pessoas. A Polícia Militar informou, por meio do Twitter, que cerca de 1.000 manifestantes participaram do ato. Ainda segundo o Twitter da Polícia Militar, 800 policiais foram mobilizados para a ação. Dois manifestantes foram detidos portando bolas de gude e spray. O Monumento às Bandeiras, onde o ato foi encerrado, foi pichado e uma agência bancária foi depredada, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Apesar disso, não houve confronto com a PM.

Uma próxima manifestação já está marcada para a próxima terça-feira, dia 3, em Pirituba, na zona norte da cidade. A luta agora é pela redução da tarifa "de três reais para baixo", segundo os manifestantes. E se o valor baixar, eles prometem continuar se mobilizando. "Se o prefeito revogar um aumento, como fez em 2013, continuaremos nossa luta na periferia, do mesmo jeito que fizemos naquele ano", disse Andreza.

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