Ações da Petrobras caem 10% após balanço excluir perdas por corrupção

Estatal estimou perdas em 88,6 bilhões de reais, mas considerou cálculo inadequado Lucro foi de 3,08 bi de reais no 3º trimestre de 2014, 38% menos que no período anterior

Fachada da sede da estatal no Rio de Janeiro.
Fachada da sede da estatal no Rio de Janeiro. Dado Galdieri (Bloomberg)

A estatal brasileira Petrobras, envolvida em um gigantesco escândalo de corrupção, anunciou uma queda de 9,07% em seus lucros no terceiro trimestre de 2014 com relação ao mesmo período de 2013, segundo um balanço ainda não auditado que foi divulgado na madrugada desta quarta-feira, depois de a divulgação ter sido postergada em duas ocasiões (novembro e dezembro, respectivamente) por causa da Operação Lava Jato. O relatório é o primeiro divulgado pela empresa depois que a Polícia Federal desativou a rede de subornos e lavagem de dinheiro que afetou os principais contratos da estatal entre 2004 e 2012, no mínimo.

A petroleira ganhou 3,08 bilhões de reais (1,2 bilhão de dólares) no terceiro trimestre do ano passado, lucro 38% menor em comparação com o segundo trimestre do ano. O balanço não inclui as perdas no valor de seus ativos relacionadas com as investigações, como a empresa tinha se comprometido a informar. Um comunicado divulgado pela presidenta da empresa, Graça Foster, nesta quarta-feira estima, contudo, que as perdas da estatal podem ter chegado a 88,6 bilhões de reais — o valor não foi publicado no relatório porque a metodologia para chegar a ele foi considerada inadequada. 

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O resultado, apresentado horas depois do prazo previsto, repercutiu negativamente na Bolsa de Valores de São Paulo logo no início da manhã desta quarta-feira. As ações da estatal chegaram a cair 10% na abertura do pregão, carregando a Bovespa para um cenário de perdas. No dia anterior, os papéis da Petrobras haviam fechado em alta de 2,62%, pela expectativa do balanço. Mas o atraso e as informações contidas no balanço não foram animadores. 

Depois de 11 horas de reunião, o Conselho de Administração da estatal não chegou a um consenso sobre como diferenciar, no relatório, as perdas provocadas pelos desvios descobertos dos outros prejuízos, como projetos ineficientes ou atrasos por razões meteorológicas, por exemplo. Entende “que será necessário realizar ajustes nas demonstrações contábeis para corrigir os valores dos ativos fixos impactados por valores relacionados com atos ilícitos realizados por empresas provedoras, agentes políticos e outras pessoas” dentro da rede de corrupção.

Analistas do mercado esperavam uma queda no valor dos ativos da estatal entre 10 e 20 bilhões de dólares (25 e 50 bilhões de reais), fruto da revisão de contratos e obras relacionadas com a Lava Jato, que mantém presos alguns dos principais construtores do país e dois ex-diretores da empresa. A Polícia Federal calcula que o valor desviado pela rede corrupta superou os 4 bilhões de dólares na última década. Apesar dos rumores sobre um eventual corte no investimento em 2015, a estatal informa que planeja aumentar em 4,5% o volume de produção de petróleo em 2015.

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