ATENTADO CONTRA 'CHARLIE HEBDO'

Hollande anuncia reforço da operação militar contra o jihadismo

Porta-aviões Charles de Gaulle dará apoio aos bombardeios franceses no Iraque

O presidente francês, François Hollande, passa em revista às tropas.
O presidente francês, François Hollande, passa em revista às tropas.A-C P. (AFP)

François Hollande anunciou na terça-feira a decisão de reforçar a operação militar lançada pela França em setembro passado contra as forças do Estado Islâmico (EI) no Iraque. Como primeira medida, o presidente francês detalhou que esta será a missão do navio símbolo da frota francesa, o porta-aviões Charles de Gaulle, que zarpou que porto de Toulon. “A situação no Oriente Médio justifica a presença do Charles de Gaulle. Poderemos realizar as operações no Iraque com mais intensidade e eficácia”, afirmou Hollande em um discurso para centenas de militares a bordo do grande navio de propulsão nuclear.

A partida do porta-aviões estava prevista havia meses com destino “ao Oceano Índico”, segundo fontes da Defesa, mas o presidente francês foi mais explícito ao assinalar que levará um importante apoio às forças que atuam contra os jihadistas na região. “O navio nos dará os meios de projeção para atuar com mais eficácia”, comentou, depois de justificar que a luta contra os terroristas deve ser empreendida tanto em solo francês como no exterior. “Temos de responder aos ataques lançados no interior, mas que podem ter sido comandados de muito longe, e assim foram reivindicados. Temos de conter as ameaças procedentes do exterior”.

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O presidente francês lamentou que a comunidade internacional não tenha reagido “no momento devido” no conflito da Síria. No verão de 2013, Paris já era a favor de bombardeios contra o regime sírio, que não foram realizados porque Washington e Londres se recusaram a participar da operação.

O anúncio de Hollande ocorre um dia depois de a Assembleia Nacional aprovar, praticamente por unanimidade, a continuação dos bombardeios franceses contra o EI, iniciados em 19 de setembro. Nessa operação participam nove caça-bombardeiros dos Emirados Árabes e seis da Jordânia, apoiados por outros aviões de reconhecimento e reabastecimento em voo, assim como por uma fragata anti-aérea. O Charles de Gaulle, de 40.000 toneladas e 260 metros de comprimento, pode transportar 21 aviões e vários helicópteros. Em sua missão ao Oriente Médio, será acompanhado por um submarino nuclear, uma fragata e um navio de provisões. “A luta no Iraque será longa”, advertiu Hollande diante dos militares.

O protagonismo do Exército na luta antiterror não tem precedentes na história da França. Aos 8.500 militares mobilizados no exterior somam-se agora pelo menos mais 2.000. Em solo francês, 10.500 militares fazem a proteção de estações, embaixadas, áreas turísticas e escolas. Hollande agradeceu o esforço e anunciou uma imediata “revisão” dos planos para reduzir os orçamentos e efetivos das Forças Armadas.

Em outubro passado, o ministro da Defesa Jean-Yves Le Drian anunciou que o quadro de efetivos das Forças Armadas seria reduzido em 7.500 pessoas neste ano e em pelo menos 17.000 nos três anos seguintes. Hollande garantiu que fica “sacramentado” o orçamento deste ano para o departamento, de 31,4 bilhões de euros (99 bilhões de reais), também ameaçado de cortes até agora.

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