Vale a pena migrar para o Bilhete Único Mensal em São Paulo?

Veja também como funcionará o passe livre para estudantes que será regulamentado

Ao lado do anúncio da nova tarifa para o transporte público – ônibus, trens e o metrô passaram de 3 reais para 3,50 nesta terça-feira – a Prefeitura e o Governo do Estado de São Paulo anunciaram o passe livre estudantil como uma forma de contrapor o ônus do reajuste.

Polêmico desde o anúncio, em dezembro do ano passado, o benefício para os estudantes provoca dúvidas. Como será de uso conjunto para o transporte municipal (ônibus) e o Estadual (trem e metrô), as regras terão de ser definidas em conjunto entre Prefeitura e Governo do Estado.

A assessoria de imprensa do metrô afirmou que ainda não sabia exatamente como as regras seriam definidas, já que depende da regulamentação, prevista para ocorrer na próxima semana. Mas a Prefeitura de São Paulo respondeu à maioria das questões. Veja abaixo os principais pontos do reajuste e quem pode se beneficiar do passe livre estudantil e quando vale a pena migrar do Bilhete Único para os bilhetes temporais (Mensal, Semanal e Diário) para tentar driblar o novo aumento das tarifas:

Pergunta. Quantas pessoas vão, de fato, pagar a nova tarifa?

Resposta. Segundo os dados da São Paulo Transportes (SPTrans), 51% dos usuários do sistema, ou 1,95 milhão de pessoas, deverão, num primeiro momento, sentir o aumento da tarifa. A Prefeitura de São Paulo, no entanto, acredita que este número deverá diminuir significativamente para os usuários que optarem pelo Bilhete Único Mensal.

P. Por que algumas pessoas devem migrar para o Bilhete Único Mensal?

R. Embora a Prefeitura afirme que o Bilhete Único Mensal terá a tarifa congelada, o que ocorre de fato é que o preço fixo desse cartão é 140 reais. Quem antes usava dois ônibus por dia – um para ir e outro para voltar do trabalho, por exemplo – gastava uma média de 132 reais por mês, em 44 viagens. Com a nova tarifa, esse valor subiria para 154 reais ao mês, o que torna mais vantajoso migrar para o Bilhete Único Mensal, que pode ser usado quantas vezes o usuário quiser pelo valor de 140 reais ao mês. Basicamente, para o usuário que faz mais de 41 viagens ao mês, compensa migrar para o Bilhete Único Mensal.

P. Quais as outras opções de bilhetes que podem ser vantajosas?

R. O Bilhete Único Semanal, que custa 38 reais, vale a pena para quem fizer mais de 11 viagens pagas por semana. Já o Bilhete Único Diário custa 10 reais e vale a pena para quem faz mais de três viagens pagas por dia.

P. Como eu posso adquirir os bilhetes mensal, semanal ou diário?

R. É preciso realizar um cadastro, por meio do site da SPTrans, informando dados pessoais e enviando uma foto digitalizada. Após o cadastro, a Prefeitura avisa, por e-mail, quando e onde o usuário deverá buscar o novo cartão. O usuário escolhe, na hora da recarga, se quer usar o modo diário, semanal ou mensal.

P. Incluindo idosos (que a partir dos 60 anos têm gratuidade no transporte) e os estudantes beneficiados pelo passe livre, qual é o número de pessoas que terá direito ao transporte gratuito e quanto isso representa no percentual do transporte público?

R. Cerca de 505.000 estudantes, sendo aproximadamente 360.000 da rede pública e 145.000 da rede particular, incluindo os de nível superior. Os idosos são 890.000, além de 220.000 pessoas com gratuidade por motivo de saúde, totalizando 13% dos usuários do sistema.

P. Quais são os estudantes que poderão ser beneficiar pelo passe livre?

R. O passe livre para estudantes entrará em vigor no início deste ano letivo. A princípio, o benefício seguirá as mesmas regras do passe escolar, que são três, conforme decreto de 1948:

1 – A escola frequentada deve ser localizada no município de São Paulo

2 – A residência do estudante deve estar localizada a uma distância mínima de um quilômetro da escola

3 – Deve existir uma ligação de transporte coletivo entre a residência do estudante e a escola

Terão direito os alunos de escolas públicas de ensino fundamental e médio. No caso dos estudantes do ensino superior pago, o princípio geral será o de beneficiar alunos que se enquadram nas regras de acesso ao PROUNI e ao FIES (programas de financiamento estudantil). No caso das universidades públicas, esse assunto ainda é objeto de estudo e será tratado durante a regulamentação. De acordo com o secretario de Transportes, Jilmar Tatto, em declaração ao UOL, “o aluno da USP que requerer essa tarifa terá de comprovar que é de baixa renda”. De acordo com ele, o corte de renda para que os alunos de universidades públicas requeiram a tarifa zero deverá ser de um salário mínimo e meio per capita na família.

P. O que um estudante deve fazer para ser beneficiado pelo passe livre?

R. Deve se cadastrar no site da SPTrans logo após a regulamentação, prevista para a semana que vem.

P. O passe livre estudantil funcionará o ano todo, ou apenas durante o ano letivo?

R. Historicamente, o único mês em que não se entrega o desconto da meia passagem é o de janeiro. O critério para o funcionamento do Passe Livre será regulamentado na próxima semana.

P. O aumento da tarifa implicará na melhoria dos serviços?

R. Segundo palavras da Prefeitura de São Paulo: "É importante lembrar que desde o último reajuste (janeiro de 2011), a inflação acumulada foi de 27%, enquanto o reajuste da tarifa básica ficou em 16,67%. Na média de todos os usuários pagantes, o reajuste (considerando os congelamentos dos temporais e a gratuidade para os estudantes) foi de 7,4%. Desde o início de 2013, a Prefeitura de São Paulo prioriza o transporte público. Um exemplo disto foi a criação de 461 quilômetros quilômetros de faixas exclusivas (369,7 quilômetros construídos nesta gestão), que diminuíram em 40 minutos a média de tempo das viagens em relação a 2012, o que significa cerca de 4 horas por semana a menos. Além disto, nos próximos meses será feita a nova licitação que deverá requalificar todo o sistema, a estrutura dos veículos, tecnologia embarcada, circulação, cumprimento de viagens etc".

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