Conferência mundial do clima evita o fracasso com um acordo fraco

Documento final salva a reunião de líderes mundiais em Lima, mas não convence

Poluição em Beijing: acordo busca reduzir emissões.
Poluição em Beijing: acordo busca reduzir emissões. R. D. Pena (EFE)

A Cúpula do Clima resolveu em uma hora o que tinha ficado emperrado durante duas semanas. A sensação é que, depois de prorrogar em um dia a reunião, chegou-se a um acordo na madrugada do domingo porque não havia mais outra solução. O texto final foi a última tentativa por parte da presidência da 20a Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP20) de tirar as negociações da paralisia. E deu certo. O documento venceu as últimas resistências e conseguiu salvar um encontro ao qual os envolvidos chegaram com expectativas muito grandes e que estava obrigado a não fracassar.

Os países estabeleceram os requisitos para que todos apresentem, antes de 1o de outubro de 2015, seus compromissos individuais para combater o aquecimento global. Esse é o caminho aberto para a reunião que todo o mundo tem em mente: Paris, 2015, quando os países terão que assinar um novo acordo global substituir o já obsoleto Protocolo de Kyoto. A pressão sobre esse encontro na capital francesa é enorme. Os cientistas disseram claramente que se não se começar a trabalhar desde já na redução de emissões poluentes, o aquecimento global pode produzir efeitos devastadores em todo o planeta.

As negociações esbarraram mais de uma vez nas divergências entre os países mais e menos desenvolvidos

Com Paris na mira de todos, os avanços do encontro em Lima são relativos. Chegou-se ao Peru com a ideia de que daqui sairia um rascunho do futuro acordo. Em parte foi o que se conseguiu. Foi produzido um texto que compila todos desejos dos 196 países, mas ainda é difícil de ser administrado. As partes foram obrigadas a seguir trabalhando no texto durante o ano que vem para chegarem à França com algo mais concreto nas mãos. A verdadeira armadilha para os delegados nestes dias foi definir como e quando terão que apresentar os compromissos que cada país deve assumir para contribuir com a luta comum.

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O objetivo a longo prazo é evitar que a temperatura do planeta suba mais do que 2 graus, barreira estabelecida por cientistas para impedir consequências catastróficas. Isso implica atuar em várias frentes. É preciso conter o desmatamento, incentivar o desenvolvimento de energias limpas e reduzir o uso de combustíveis fósseis. Mas, além das ações concretas, o aquecimento global já se tornou uma questão econômica que divide e coloca em confronto os países ricos e os países pobres.

Os países em desenvolvimento, mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, não estão dispostos a avançar na luta comum se os mais ricos (e maiores responsáveis pelas emissões) não se comprometerem a oferecer incentivos financeiros para que os primeiros enfrentem o aquecimento global. Esse foi um dos pontos que impediu o acordo até que o texto final incluísse um pedido para que as nações desenvolvidas aumentem suas ajudas.

Para as organizações ambientalistas, o que foi obtido na cúpula não é suficiente. “As negociações sobre o clima fracassaram e não deram resultados (...) Os governos falharam redondamente em alcançar um acordo sobre planos específicos para reduzir as emissões antes de 2020, que firmaria as bases para acabar com a era dos combustíveis fósseis e se aceleraria o passo no sentido de buscar energias renováveis e uma maior eficiência energética”, afirma Samantha Smith, líder da Iniciativa Global de Clima e Energia do WWF. “As decisões tomadas em Lima não excluem a possibilidade de um acordo em Paris, mas fazem pouco para melhorar as probabilidades de êxito”, avalia a Oxfam.

O caminho até Paris poderá não ser fácil. Em 13 dias no Peru, o ar de otimismo que este ano trouxe em relação a questões ambientais, por causa do recente anúncio pelos Estados Unidos e pela China de reduzir emissões, se dissipou. O profundo racha que separa os países do mundo se impõe à certeza de que é preciso fazer alguma coisa para salvar o planeta. Aos otimistas só lhes resta entender que Lima não é Paris.

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