Caso Gürtel

Ministra da Saúde espanhola renuncia em meio a grande caso de corrupção

Um juiz citou Ana Mato como participante em uma trama no conservador Partido Popular

Ana Mato, ministra da Saúde da Espanha. Atlas (atlas)

A ministra de Saúde da Espanha, Ana Mato, renunciou nesta quarta-feira, poucas horas depois de um juiz da Audiência Nacional a citou como “participante em título lucrativo”, no caso Gürtel, uma trama de corrupção que afeta políticos do conservador Partido Popular (PP), que está no poder. Em um comunicado, através do Ministério da Saúde, Mato ressaltou que o juiz não a acusa de nenhum crime, nem “atribui responsabilidade penal”. “Não quero, em hipótese alguma, que a minha permanência nesta responsabilidade possa ser usada para prejudicar o Governo da Espanha, o seu chefe de Governo, nem o PP”, diz o texto.

O chefe de Governo espanhol, Mariano Rajoy, tinha pesado durante toda a tarde de ontem se forçava a renúncia da ministra de Saúde. A pressão no PP e no Governo era enorme depois que o juiz da Audiência Nacional Pablo Ruz considerasse que Ana Mato supostamente se beneficiou de uma atividade criminosa de seu ex-marido, Jesús Sepúlveda. Rajoy protagoniza nesta quinta-feira um plenário importante no Congresso sobre corrupção e sua mensagem pode ficar completamente inutilizada ao aparecer junto com a ministra.

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A decisão do juiz não imputava a ministra da Saúde, mas abria a possibilidade de que tenha que se sentar no banco durante o julgamento da primeira fase do caso Gürtel como responsável civil por supostos crimes. Mato insistiu, em seu último comunicado como ministra da Saúde, que nunca teve “conhecimento de qualquer crime que possa ter sido cometido”.

De acordo com o juiz, a ministra desfrutou de serviços turísticos, pagamento de eventos familiares e outros artigos e conceitos no valor de 55.439 euros (173.000 reais), cuja origem era supostamente criminosa. A trama corrupta supostamente custeou artigos de Louis Vuitton para a ex-ministra e festas de aniversário e de primeira comunhão da filha do casal em 2001, 2002 e 2005. A figura de “participante a título lucrativo” que o juiz usou contra Ana Mato descreve quem recebe um benefício econômico sem saber que este é fruto de uma atividade criminosa e, portanto, responde solidariamente com o condenado, mas apenas na medida de sua participação.

A trama corrupta do caso Gürtel, criada na década de 90, especializou-se na organização de eventos, atos políticos e viagens para o Partido Popular. Ao mesmo tempo, o cérebro da trama aproveitava seus contatos no partido do Governo para conseguir concessões públicas. Em paralelo, os colaboradores criaram uma estrutura empresarial no exterior para transformar em recursos legais o patrimônio que iam acumulando com suas atividades ilegais.