A filha do presidente de Angola quer comprar a Portugal Telecom

A oferta da investidora Isabel dos Santos avalia a operadora em 3,87 bilhões de reais

Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola e a mulher mais rica da África, lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Portugal Telecom, uma semana depois que a sociedade francesa Altice ofereceu 7,025 bilhões de euros (22,45 bilhões de reais) pela companhia. A oferta significa pagar 1,35 euro por ação, o que equivale a 11% acima da última cotização.

Isabel dos Santos já é acionista da Portugal Telecom em seus negócios em Angola. Também é acionista de uma operadora portuguesa da concorrência, Nos, e, além disso, também possui interesses no banco Bpi e na petroleira Galp.

Frente ao receio que havia criado a oferta da franco-luxemburguesa Altice pela PT, a executiva angolana havia anunciado nesta mesma semana que, para “defender o interesse nacional”, podia comprar a PT em colaboração com seus sócios da Nos. Agora, a oferta se materializou, embora, de forma solitária e avaliando a empresa em 1,21 bilhão de euros (3,87 bilhões de reais), bastante menos que a da Altice, embora esta esteja sujeita a várias condições, como a exclusão da dívida associada aos ativos portugueses.

A Portugal Telecom encontra-se em um processo de fusão com a brasileira Oi, onde é minoritária. A Oi, com uma forte dívida e com a ameaça de, por outro lado, ser comprada por outras operadoras brasileiras, decidiu se desfazer da PT e de seus negócios na África.

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A oferta foi apresentada na Comissão de Valores de Portugal através da sociedade Terra Peregrin, com um capital social de 51.000 euros representado por 600 ações “cujo direito de voto é totalmente imputável a Isabel dos Santos e a uma ou mais sociedades”. A OPA foi lançada concretamente sobre a sociedade PT SGS que foi criada para o processo de fusão com a Oi e que detém 25,6% do capital da Oi, assim como a dívida de 897 milhões de euros (2,8 bilhões de reais). Ao assumir essa dívida, Isabel dos Santos aumentaria sua presença na Oi chegando a 37% das ações, assim como o direito de voto das decisões tomadas pela empresa. Mas também exigiria abandonar sua posição na operadora concorrente Nos.

Na proposta de OPA, Isabel dos Santos anuncia que é favorável à continuidade da fusão da Oi e PT, mas pede que seja adiada até um mês depois da liquidação física e financeira da oferta. Para que a OPA avance, ela deverá conseguir 50,01% das ações ou dos resíduos de votos do capital de PT SGPS.

Já são duas, pois, as ofertas firmes para ficar com a PT, embora não sejam as únicas. Vários fundos investidores anunciaram seu interesse pela operadora e espera-se que nesta mesma semana concretizem suas ofertas. Os acionistas da Oi se inclinariam pela oferta mais alta, mas também, e não menos importante, pela mais rápida, quer dizer, a que não precise de um ditame das autoridades de concorrência.

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