Alemanha quer evitar o aumento da violência extremista

Governo quer proibir futuras concentrações de ‘hooligans’ islamofóbicos

Grupos de ultradireita se manifestam contra o islamismo radical.
Grupos de ultradireita se manifestam contra o islamismo radical.CAROLINE SEIDEL (AFP)

Surpreendidas pelos distúrbios de domingo passado em Colônia, as autoridades alemãs estão há uma semana se perguntando como, de repente, se organizaram tantos hooligans violentos de extrema direita e, sobretudo, o que fazer para evitar novos tumultos. “Quem leva a violência às cidades deverá ser perseguido e punido com todos os meios do Estado de direito”, disse o ministro da Justiça, o social-democrata Heiko Maas, um dia depois de 4.000 membros do grupo Hooligans contra Salafistas semear o terror em pleno centro de Colônia e deixar meia centena de agentes feridos. A polícia respondeu com jatos d’água ao lançamento de pedras e outros objetos por parte dos radicais.

O movimento extremista surgiu como resposta ao crescente número de radicais islâmicos operando dentro do país, em uma perigosa espiral em que os dois fanatismos se retroalimentam. “Os grupos ligados ao futebol já tiveram seu auge nos anos oitenta e noventa. Naquela época, não eram movidos pela política, mas unicamente por acontecimentos esportivos. A novidade da manifestação de Colônia, cujos participantes tinham entre 35 e 50 anos, é que possuía um lema político explícito”, assegura o especialista em movimentos radicais Michael Gabriel.

Passada a surpresa, o Governo federal e as diferentes administrações regionais agora estudam como atuar. Os hooligans anunciaram a intenção de fazer mais manifestações em cidades como Berlim e Hamburgo. “Não queremos que essas desordens aconteçam em nossas cidades”, respondeu o ministro do Interior, o democrata-cristão Thomas de Maizière. O responsável pelo Ministério do Interior em Berlim, Frank Henkel, foi mais longe ao ser questionado sobre o protesto previsto para 15 de novembro em frente à Porta de Brandeburgo, uma semana depois das celebrações do 25º aniversário da queda do Muro do Berlim. “Ouvi dizer que poderiam reunir 10.000 pessoas. Estamos experimentando uma nova dimensão de violência e militância. Faremos tudo o que for possível para proibir a manifestação”, disse. As autoridades temem uma afluência maciça de radicais em 15 de novembro depois que os hooligans cancelaram o protesto em Hamburgo.

Mas o debate sobre os limites da liberdade de reunião vai além da proibição de futuras concentrações. Há vozes no partido democrata-cristão da chanceler Angela Merkel que sugerem a possibilidade de cancelar o passaporte dos extremistas de direita, assim como o dos terroristas do Estado Islâmico, enquanto outros falam em marcar as carteiras de identidade dos violentos para mantê-los sob controle. Já a ministra da Família, Manuela Schwesig, exige mais dinheiro para combater os extremismos de direita. “Devemos agir mais rápido porque não podemos ficar assistindo adolescentes de 14 ou 15 anos aderirem a essas estruturas radicais”, disse a política social-democrata.

O desafio é sério. Como recorda o especialista Gabriel, tanto os extremistas de direita como os radicais islâmicos não só estão fascinados pela violência e rechaçam os princípios de igualdade e democracia, como também gozam de um entorno social no qual despertam simpatias. “Temos um potencial propício para que este conflito avance na sociedade alemã”, conclui Gabriel.

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