Eleições 2014

Corrupção na Petrobras joga sombras sobre o PT e estremece a campanha

Suspeitos de liderar o esquema dizem que o Governo loteou a maior empresa brasileira

Dilma Rousseff em entrevista em Brasília.
Dilma Rousseff em entrevista em Brasília.UESLEI MARCELINO / REUTERS

O quebra-cabeça das fraudes na Petrobras ainda está sendo montado pela polícia. Mas a mácula que fica no PT pode ser tão grande quanto a do mensalão, que resultou na prisão de vários dirigentes e empresários ligados diretamente ao partido. Desde que vazaram para a imprensa fragmentos dos depoimentos de dois suspeitos de desviar mais de 10 bilhões de reais da petroleira, as campanhas de Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) já se preparam para retomar a batalha no horário eleitoral.

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Mais uma vez os tucanos divulgam peças publicitárias sobre a dificuldade do Governo petista em combater os desvios de recursos e de conduta. Por outro lado, o PT, que teme perder a eleição, já retomou os discursos e as propagandas dizendo que é o Governo que mais combate as irregularidades. Na quinta-feira, uma propaganda de Dilma mostrava que sua gestão encurralava todos os corruptos, enquanto que Aécio explorou a questão no seu programa de rádio. Especialistas, como o cientista político Paulo Nascimento, da Universidade de Brasília, dizem que o PSDB quer tentar passar a ideia de que o PT aparelhou o Estado para corrompê-lo. “Esse castelo de cartas em que se transformou o Governo do PT está desmoronando”, acusou o candidato tucano.

Após se calar na CPI que investiga a maior empresa brasileira, assinar um acordo com o Ministério Público e ser posto em liberdade, o engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, prosseguiu com a série de depoimentos que podem implodir a campanha de Dilma. À Justiça Federal, Costa afirmou que o PT, o PMDB e o PP lotearam a Petrobras e desviaram 3% de todos os contratos da companhia. O dinheiro iria direto para esses partidos, que são da base do Governo Dilma, e abasteceu o caixa dois da campanha de 2010. “Todos sabiam que tinha um porcentual dos contratos da área de abastecimento. Dos 3%, 2% eram para atender ao PT através da diretoria de serviço”, afirmou em depoimento gravado pela Justiça Federal.

O doleiro Alberto Youssef, que foi preso sob suspeita de liderar o esquema ao lado de Costa, também acusou os partidos por essas irregularidades. E foi além, afirmando que a propina era paga para todas as diretorias da companhia.

Esse castelo de cartas em que se transformou o Governo do PT está desmoronando Aécio Neves

Dessa vez, nenhum dos dois investigados citou diretamente os nomes de congressistas, ministros ou governadores, como fizeram nas outras ocasiões que falaram ao Judiciário. O principal nome citado por eles foi o do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que negou as irregularidades. O PT também disse que sempre cumpriu as leis, que todas as doações foram legais e que deverá processar os delatores Costa e Youssef.

Delay

A operação da Polícia Federal que prendeu Costa e Youssef aconteceu em março, mas só agora, no período eleitoral, eles decidiram colaborar com a Justiça. A decisão deles foi criticada pela presidenta Dilma, que disse que a divulgação do áudio do depoimento do engenheiro era estranha e estarrecedora.

“É muito importante que a gente não deixe uma coisa se misturar com a outra. Agora que não se use isso de forma leviana em momentos eleitorais, porque nós não temos acesso a todas as informações”, declarou em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira. A cúpula da campanha petista participou de uma série de reuniões para debater o impacto da divulgação do caso no pleito. O temor é que Aécio dispare nas pesquisas e saia do empate técnico que tem hoje com Dilma (46% a 44%, conforme o Datafolha e o Ibope).

As declarações de Costa e Youssef, até o momento, mais botaram lenha na fogueira eleitoral do que resultaram em compreensão efetiva do suposto esquema de desvio de recursos federais. Mas, como ambos assinaram um acordo de delação premiada, eles são obrigados a se manifestar mediante a Justiça. Ou seja, eles não podem se valer do direito constitucional de permanecer calado perante a um juiz. Caso contrário podem ser processados não só pelos crimes pelos quais já respondem (formação de quadrilha, corrupção), mas também por atrapalhar uma investigação policial.

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