Protestos por mais democracia em Hong Kong perdem a força

Funcionários voltam ao trabalho enquanto estudantes e Governo tentam um diálogo

Hong Kong volta à rotina.

Os moradores do território autônomo chinês de Hong Kong voltaram ao trabalho a nesta segunda-feira, na segunda semana da campanha de desobediência civil por mais democracia. Embora o trânsito de veículos continue impedido nas ruas centrais da ex-colônia britânica e muitas linhas de ônibus tenham sido alteradas ou suspensas, a maior parte dos trabalhadores voltou a seus postos de trabalho e muitas escolas reabriram suas portas. Em frente ao complexo que abriga a sede do governo e a administração autônoma, permaneciam apenas algumas centenas de manifestantes, no dia mais tranquilo desde o início das manifestações, em 28 de setembro.

Na zona central das manifestações, apareciam mais os turistas curiosos que tiravam fotos dos cartazes, ou os funcionários que tentavam encontrar um atalho entre as barricadas para chegar a seus escritórios, do que os estudantes que protagonizavam os protestos. Nas outras duas áreas de manifestações, a zona comercial de Causeway Bay e Mong Kok, do outro lado da baía, permaneciam apenas algumas dezenas de manifestantes.

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Os estudantes e o Governo autônomo mantiveram contatos para iniciar uma negociação. A Federação de Estudantes fixou um prazo, de “dois ou três dias”, para realizar uma reunião com funcionários que permita preparar um eventual diálogo com a número dois do Executivo, Carrie Lam. Em um primeiro encontro, no domingo, não houve aproximação e os estudantes ainda não conseguiram nenhuma concessão.

“A bola agora está com o Governo”, declarou o dirigente da Federação Alex Chow. “Todos estamos esperando, e analisaremos o comportamento do Governo, para ver se é uma tática para ganhar tempo ou se querem mesmo dialogar”.

A campanha de desobediência civil, que vive hoje seu nono dia, exige a renúncia do chefe do Governo autônomo, Leung Chun-Ying, e uma reforma eleitoral que permita a celebração de eleições livres em 2017, em que seja instaurado o sufrágio eleitoral e os cidadãos possam eleger o líder do Legislativo.

Em um comunicado que representa uma boa notícia para o Governo local, a agência de qualificação de crédito Moody's descartou um impacto significativo na economia de Hong Kong como consequência das manifestações.

A Moody's confirma a qualificação de risco de AA1, com perspectiva estável, para o Governo de Hong Kong, ao considerar que conta com “importantes parachoques – financeiros, institucionais e econômicos – quando os protestos do Occupy Central entram em sua segunda semana”. “Os pilares centrais da economia”, comércio, finanças e serviços profissionais “não parecem afetados diretamente pela desordem política”, indica a agência de qualificação de risco.

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