A OMS declara emergência internacional de saúde pública por causa do ebola

A agência reconhece a gravidade do surto e a possibilidade do aumento dos contágios Esclarece que se trata de um apelo à solidariedade e à cooperação entre nações, a “única” solução

Um outdoor adverte a população sobre sintomas do ebola em Freetown, Serra Leoa, na quinta-feira.Michael Duff (AP) | VÍDEO: ELPAÍS - LIVE! (reuters_live)

Depois de uma reunião de dois dias, o comitê de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu por unanimidade que a atual crise do vírus ebola, a mais grave nas últimas quatro décadas, que já matou quase mil pessoas em vários países da África ocidental, é “uma emergência de saúde pública” que gera preocupação “em nível internacional”.

A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, declarou nesta sexta-feira que o surto é um “evento extraordinário” que constitui um risco internacional e que só pode ser enfrentado com a cooperação entre as nações. A organização advertiu, além disso, que as potenciais consequências de uma propagação internacional do atual surto são “particularmente sérias”, em vista da extraordinária virulência da enfermidade.

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A OMS, entretanto, considera desnecessário proibir as viagens ou o comércio com Serra Leoa, Guiné, Libéria e Nigéria, os países afetados pela epidemia iniciada em março, “a menos de que se trate, de maneira específica, [da remoção] de pessoas infectadas ou que tenham estado em contato com um doente”, observou o diretor-geral-adjunto do organismo, Keiji Fukuda.

"Declaro que o surto atual de vírus ebola é uma emergência de saúde pública de preocupação internacional”, disse Chan, que acrescentou que o comitê de emergência da OMS reconhece a seriedade da epidemia e a possibilidade de que aumentem os contágios em diferentes países do mundo.

Entretanto, salientou que essa declaração é um alerta ao mundo sobre a necessidade de maior vigilância, mas que “de maneira nenhuma implica que muitos países serão afetados, só uma pequena parte do continente africano está sob epidemia atualmente”.

Chan acrescentou que “isto é um claro apelo à solidariedade internacional. Há países que não têm a capacidade de reagirem por si sós ante um surto dessa intensidade. Nossa segurança depende da ajuda urgente que possa ser prestada a esses territórios”.

O último balanço da OMS, divulgado nesta quarta-feira, eleva a 932 o número de pessoas mortas pelo ebola na África ocidental, com 45 mortes confirmadas só entre nos dias 2 e 4 de agosto. Neste período, registraram-se 108 novos casos.

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