ELEIÇÕES EUROPEIAS

As redes de arrasto do espanhol Podemos

Uma equipe formada por 15 estudantes administra as contas nas redes sociais do partido revelação na Europa

Pablo Iglesias na faculdade em que dá aula.
Pablo Iglesias na faculdade em que dá aula.KIKE PARA

Depois do impacto da jornada eleitoral, o fenômeno espanhol Podemos não deixou de multiplicar o seu impulso nas redes sociais. Apenas 48 horas após conseguir cinco cadeiras no Parlamento Europeu, se tornou o partido político espanhol com maior número de seguidores. Tanto no Twitter, com 194.000, como no Facebook, com 380.000. O perfil @ahorapodemos da rede de microblogs, onde é mais ativo, superou os seus concorrentes: o Partido Popular (PP); com 141.000; o Partido Socialista (PSOE); com 140.000; o União, Progresso e Democracia (UPyD), com 83.000; e o Esquerda Unida (IU), com 63.000. “Ninguém relacionado com o mundo da comunicação esperava isso”, assegura Gustavo Entrala, criador da conta do Papa no Twitter e diretor da agência 101.

Fuente: Twittercounter.com

O mesmo efeito fulgurante teve a presença na rede de Pablo Iglesias, o líder do partido, que já é o político mais influente na Europa em redes sociais, segundo os especialistas consultados pelo EL PAÍS e uma classificação elaborada pela agência de comunicação Burson-Masteller. “Iglesias tem 322.000 seguidores no Twitter, e o partido, 194.000. A diferença é brutal”, explica Ismael El Qudsi, consultor da agência Internet República e ex-diretor de redes sociais no Grupo Havas. “Muitas das mensagens no Facebook do Podemos chegaram a ser compartilhadas por 2.000 pessoas, o que pode estender o alcance final até 750.000. Isso não acontece em nenhum outro partido nem de longe”, acrescenta. Segundo os cálculos de Ana Aldea, consultora da Redlines, as mensagens de Pablo Iglesias podem ter chegado de forma direta a cerca de dois milhões de usuários.

“Se já eram muito bons antes da campanha, o seu sucesso se triplicou depois”, aponta Aldea, “entre outras coisas, porque atuaram desde o primeiro momento como se ganhassem. A preparação que há por trás é muito boa e não tiveram que formar a sua militância em redes sociais porque esta já era muito ativa. Portanto, não há as ordens hierarquizadas como nos grandes partidos, funciona nas redes de forma natural”.

A importância do diálogo

A equipe de redes sociais do Podemos ratifica isso. “Desde o início sabíamos que tanto o Twitter como o Facebook eram a chave”, destaca por telefone Rita Maestre, uma das 15 administradoras de redes sociais com as quais conta o partido de Iglesias. “Ao contrário dos grandes, entendemos que a rede deve ser um elemento de interação. Não é postar e acabou. Nós respondemos todos os comentários que chegam. Alguns pensam que as redes são como uma propaganda de rádio, que basta apertar o botão e pronto. Não é assim. Precisa-se dialogar com as pessoas”, acrescenta.

Durante a campanha eleitoral, a equipe das redes, que tem uma idade média situada entre 25 e 30 anos, debatia “durante horas”, mediante documentos compartilhados na internet, quais os tema ou palavras que poderiam ser tendência na rede e, assim, se converter no item mais visto para serem observados por milhares e milhares de cidadãos. Meta alcançada. A cada dia, durante a campanha eleitoral, uma de suas ideias acabava como o tema do momento. A exposição midiática de Iglesias também fez a sua parte. “Não seria o mesmo. Isso está claro”, admitem no Podemos.

Na rede social de mensagens instantâneas quase 80% dos usuários têm entre 25 e 44 anos. Na Espanha, três em cada quatro moram em Madri e Barcelona. Na capital, o Podemos foi a terceira força mais votada, atrás dos fortes PP e PSOE. “O problema do PSOE e do PP é que seus eleitores têm uma faixa de idade muito ampla e o Podemos, ao contrário, tem o impulso dos jovens e do movimento 15-M que sempre foi muito ativo no Twitter”, conclui Gustavo Entrala, em referência ao movimento de protesto convocado por diversos grupos insatisfeitos com os rumos do país em 15 de março de 2011.