Kerry pede a Maduro que respeite os opositores para retomar o diálogo

O secretário de Estado mostra a impaciência de Washington em relação ao estancamento das negociações na Venezuela

Kerry cumprimenta Peña Nieto hoje na Cidade do México.
Kerry cumprimenta Peña Nieto hoje na Cidade do México.REUTERS

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, pediu nesta quarta-feira ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que cumpra os acordos que fez com a oposição de seu país para "estabilizar" e encontrar um caminho de prosperidade para a Venezuela. Kerry, em uma visita ao México, reconheceu que existe certa impaciência em Washington com respeito ao tema e por isso solicitou a Maduro que respeite os direitos dos políticos opositores como gesto de boa vontade.

Kerry disse que os Estados Unidos tinham grandes expectativas sobre o diálogo entre Governo e oposição na Venezuela que começou há um mês com a mediação da União de Nações Sulamericanas (Unasul) e o Vaticano. Os acordos de base incluíam medidas humanitárias para Iván Simonovis, o preso político mais emblemático de era chavista e a formação de uma comissão da verdade ampla e plural. "Infelizmente o Governo venezuelano fracassou totalmente em demonstrar ações de boa fé para implementar o que foi acordado", disse Kerry, expressando seu descontentamento pelo estancamento do processo.

As conversas entre as partes começou em abril em resposta aos protestos estudantis em Caracas e outras cidades -que acabaram com 41 vítimas - e a magnitude da crise política e econômica que o país sul-americano vivia. No entanto, a oposição declarou a negociação congelada pela repressão que, a seu entender, continuavam sofrendo os manifestantes e pela pouca disposição do Governo a chegar a um acordo real e frutífero.

Kerry, com suas declarações, está pedindo a Maduro um maior compromisso. O Governo do presidente Barack Obama está tentando pacificar a Venezuela através do diálogo e não com reprimendas. O Departamento de Estado opinou na primeira semana de maio que impor multas a Caracas, como dizem várias propostas de lei no Congreso norte-americano, seria contraproducente. As multas debatidas no Senado e na Câmara de Representantes incluíam a proibição de vistos e o congelamento de contas de banco e ativos financeiros dos cargos oficiais venezuelanos que participaram da repressão aos manifestantes. As medidas, consideram na Casa Blanca, poderiam aumentar a tensão da relação com os chavistas e acabar com as chances de um acordo futuro.

Não obstante, Kerry deixou claro em seu comparecimento que "todas as opções" continuam sobre a mesa caso o conflito não acabe. Desde que as manifestações contra o Governo de Maduro começaram, em fevereiro, se somam às 41 pessoas mortas mais de 800 detidas. As autoridades venezuelanas cifraram em 3.000 os presos durante as mesmas. O opositor Leopoldo López, preso desde fevereiro, se converteu em um rosto muito conhecido a nível internacional.

O secretário de Estado falou da Venezuela em uma coletiva de imprensa que ofereceu junto ao chanceler mexicano, José Antonio Meade. A visita de Kerry ao seu vizinho do sul começou com a abertura de um fórum bilateral sobre educação superior, investigação e inovação. O objetivo é melhorar a competitividade na região, um tema que Obama já tratou quando visitou o país em maio de 2013. Naquele dia, o presidente dos Estados Unidos encorajou os jovens mexicanos a superar mitos e estereótipos e a trabalhar com seu país na formatação de um novo México, chamado a ocupar um papel preponderante no mundo. Desde então, especialistas dos dois países trabalharam para concretizar programas de intercâmbio de estudantes, professores, universidades e centros de investigação.

As relações entre o México e os Estados Unidos vivem um bom momento, sobretudo um dos temas mais importantes, o da segurança. A prisão de Joaquín El Chapo Guzmán, que contou com a colaboração de agentes dos Estados Unidos, evidenciou os interesses mútuos para cercar o poder dos cartéis da droga. A subsecretaria de Estado para as Américas, Roberta Jacobson, manifestou na terça-feira o apoio total do Governo aos planos de Peña Nieto em Tamaulipas, onde um grande contingente será enviado para frear a violência nessa região fronteiriça com os Estados Unidos. Peña Nieto e Kerry tiveram um encontro pela tarde.

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