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McConaughey: a primeira indicação e a chance de levar a estatueta de Hollywood

O texano transformou sua carreira nos últimos anos

Mudou de papéis em pequenas comédias românticas para ser um ator de grande prestígio

Matthew McConaughey, no mês passado.
Matthew McConaughey, no mês passado. corbis

Sair falando por aí que quer ganhar o Oscar não costuma funcionar. Em uma temporada de prêmios, a modéstia, inclusive a falsa, dá mais resultado que a arrogância, como comprovou Robert Downey Jr., quando com Chaplin gritou aos quatro ventos “Quero um Oscar e ficou sem a estatueta.

No caso de Matthew McConaughey (Uvalde, 1969), o texano reúne a modéstia de um garoto do sul, o talento de transformar o culto de que era alvo por seu corpo em cumprimentos por sua arte e a honestidade de dizer com todas as letras que, sim, quer o Oscar. E por isso neste domingo tem chances de conquistá-lo com a primeira indicação de sua carreira como melhor ator, por seu trabalho em Clube de Compras Dallas.

Não há nada humilhante ou vergonhoso na corrida pelo Oscar”

“Não me canso de estar orgulhoso e de me sentir honrado com o reconhecimento que o meu trabalho está dando. Não há nada humilhante nem vergonhoso nessa carreira. Nem me vendo, nem promovo nada. Meu trabalho me precede. E isso torna tudo bem mais fácil”, admite o ator a este jornal na reta final ao Oscar. Olhando nos olhos e com sorriso nos lábios.

É verdade que seu trabalho fala por ele. Não é milagre de um dia. Como o próprio McConaughey lembra, o ator de 44 anos tem mais de duas décadas na indústria. E sabe que para o Oscar só contam os dois últimos anos, quando se descobriu como ator enquanto cobria seus peitorais perfeitos —que tanto mostrou em seu passado de protagonista de comédias românticas— para dar vida ao advogado de O Poder e a Lei, ao fugitivo de Amor Bandido, e a personagens coadjuvantes memoráveis em Magic Mike, Bernie - Quase um Anjo e O Lobo de Wall Street. E, claro, sem deixar de mencionar a sua atuação como Ron Woodroof, o heterossexual homofóbico disposto a tirar dinheiro e alguns anos a mais da aids diagnosticada nele em Clube de Compras Dallas.

Papéis ideais para qualquer ator disposto a arriscar. Ao aceitá-los, McConaughey recusou outros trabalhos bem mais lucrativos e nos quais até agora tinha segurança: eram roteiros de comédia romântica. "Não tenho nada contra ser pago", esclarece, entre risos. Depois de 20 anos recebendo um reconhecimento maior por seu rosto bonito que por seu trabalho como protagonista em filmes como O Casamento dos Meus Sonhos e Como Perder um Homem em 10 dias, o texano quis sentir na interpretação a mesma carga de adrenalina, o mesmo sentimento de aventura que o move na sua vida pessoal. “E você vai encontrar mais personagens com história para contar nos filmes independentes. Porque para os grandes dramas de estúdio chamam o George Clooney”.

Busco papéis no cinema ‘indie’. Para os grandes dramas de estúdio chamam Clooney”

McConaughey é conhecido como um bom colega nos sets de filmagem. Ninguém fala mal de Matthew. Nem mesmo quando seus filmes não eram tão bons. Ao texano, a fama chegou de forma inesperada, e ele passou de um desconhecido que sonhava em ser advogado e sem nenhuma linhagem no mundo do showbizz a um rosto popular com Tempo de Matar.

Mais dois filmes —Contato e Amistad— e o desconhecido já estava na capa da Vanity Fair. McConaughey lembra que aquele salto foi grande para ele, e que não sabia direito como seguir adiante. "Mas sobrevivi." Agora sabe onde pisa e qual é seu ponto de apoio na hora de se arriscar e dar um salto de um projeto para o outro, na hora de submergir em seus papéis e fazê-lo por amor à arte. É o momento de sua reinvenção, o relançamento de sua carreira. Desfez-se de tudo menos de seus pilares: sua família e sua vontade de trabalhar.

Não quer aceitar em público que há um antes e um depois, com sua dramática perda de 20 quilos em Clube de Compras Dallas. Mas desde então Hollywood o levou tão a sério como o faz, há sete anos, a sua esposa e mãe de seus três filhos, a modelo brasileira Camila Alves. Todos os dias ela dizia a McConaughey "Vai para cima, Tigre”, um mantra com o qual o ator saía de casa em busca desses papéis que agora o conduzem ao Oscar.

Hoje não tem que buscá-los. Eles chegam sozinhos. E os aceita, sem importar-lhe o meio, razão pela qual decidiu trabalhar em True Detective, série com a qual pode acabar o ano somando um Emmy à coleção de prêmios que fazem parte da brincadeira com seus filhos em sua casa de Austin (Texas). Também chegam dramas, como Interstellar, a próxima aposta de Christopher Nolan protagonizada por McConaughey, que já é conhecido em Hollywood como McConaissance, em um jogo de palavras entre seu nome e a expressão que designa renascimento.