Putin coloca tropas do centro e oeste da Rússia em alerta

O presidente russo ordenou a verificação da “preparação de combate” do Exército em outras ocasiões

Protestos pró-Rússia na península da Crimeia.(reuters_live)

O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou nesta quarta-feira que as tropas militares na parte ocidental e central do país entrem em alerta como parte das verificações não programadas da preparação de combate do Exército, que começaram a ser realizadas no ano passado.

“De acordo com uma disposição do presidente da Rússia, às 14h de hoje [7h no horário de Brasília] foram colocadas em alerta as tropas do Distrito Militar Ocidental”, disse o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, em uma reunião da cúpula militar. A medida também incluiu o II Exército do distrito Centro, assim como os comandos dos diferentes braços da Força Aérea, incluindo a aviação estratégica.

Shoigu indicou que o Comandante Supremo, cargo que segundo a Constituição russa cabe ao presidente do país, ordenou “testar a prontidão de combate das tropas para resolver as crises que ameaçam a segurança do país”.

Esta missão ordenada por Putin ocorrerá em duas etapas, disse o ministro da Defesa. A primeira é a “implantação” e vai até quinta-feira, e a segunda fase, que prevê manobras “em terra e ar”, será concluída no domingo. Shoigu afirmou que todas as tropas envolvidas nesses exercícios militares devem estar de volta às suas bases permanentes o mais tardar em 7 de março.

Embora a prática de realizar verificações de surpresa como nos tempos soviéticos foi retomada por Putin em 2013, quando foram feitas cinco inspeções não anunciadas, o momento escolhido para realizar as manobras pode ser interpretado como uma demonstração de força por parte da Rússia.

O distrito militar Ocidental faz fronteira com a Ucrânia, país que atualmente vive momentos de tensão política. Putin não fez nenhum comentário público sobre o país vizinho desde que seu colega Victor Yanukovich abandonou Kiev, embora o comunicado sobre a conversa telefônica entre o líder russo e a chanceler alemã, Angela Merkel, dizia que os dois concordavam que a integridade territorial da Ucrânia deve ser mantida.

Tanto os Estados Unidos como alguns países europeus têm alertado para a inadmissibilidade de uma intervenção militar na Ucrânia, e autoridades russas de alto nível asseguraram que a Rússia não tem intenção de interferir nos assuntos internos de seu vizinho. No entanto, as províncias orientais da Ucrânia tem o russo como língua principal, e essa população, especialmente na Crimeia, teme ser discriminada pelas novas autoridades.

No ano passado, os exercícios militares imprevistos de maior envergadura aconteceram em julho, no extremo oriente russo, e envolveram 160.000 efetivos. Até agora não foi informado o número de soldados que participarão dessas manobras nos distritos central e ocidental.

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