Onze casos em que homens apagaram mulheres excepcionais da história

<strong>Quem.</strong> Penélope: mulher de Ulisses na Odisseia, de Homero. Criação: século VIII antes de Cristo.</p><strong>Como foi silenciada.</strong> A acadêmica e escritora Mary Beard (Reino Unido, 1955) apresenta em seu livro 'Mulheres e Poder' o primeiro exemplo documentado em que um homem manda uma mulher se calar em público. Esse momento está na Odisseia, poema épico que Homero escreveu há mais de 3.000 anos. Nele, relata as aventuras que Ulisses teve de enfrentar para voltar para casa depois da Guerra de Troia. Enquanto isso, sua esposa Penélope esperava por ele em casa, espantando seus pretendentes, e seu filho, Telêmaco, amadurecia até se tornar um homem. Precisamente, o momento de plenitude do desenvolvimento como homem de Telêmaco chega quando ele manda sua mãe se calar diante de uma multidão: “Minha mãe, vá para dentro da casa e ocupe-se com suas tarefas, o tear e a roca... A narrativa estará sob o cuidado dos homens e acima de tudo sob o meu... Meu é, então, o governo da casa”. O texto mostra como as vozes das mulheres são silenciadas na esfera pública desde que a história começou a ser documentada. O que Homero propõe na Odisseia é uma análise que mostra como uma parte importante da transição de menino a homem passa por aprender a controlar o discurso público ao mesmo tempo em que silencia as mulheres. Asunción Bernárdez Rodal, jornalista e diretora do Instituto de Pesquisas Feministas da Universidade Complutense de Madri, afirma que um dos principais problemas reside no fato de que “as mulheres são tratadas como eternas meninas”. Provavelmente, por causa disso e como Mary Beard enfatiza em seu livro, a voz da mulher não interessa. A autora dá como exemplos práticas atuais, como a realizada pelo parlamento afegão, que desliga os microfones quando não deseja ouvir as mulheres.</p> Na imagem, o quadro Penélope com Seus Pretendentes, do pintor Bernardino Pinturicchio (1509)
<strong>Quem.</strong> Penélope: mulher de Ulisses na Odisseia, de Homero. Criação: século VIII antes de Cristo.</p><strong>Como foi silenciada.</strong> A acadêmica e escritora Mary Beard (Reino Unido, 1955) apresenta em seu livro 'Mulheres e Poder' o primeiro exemplo documentado em que um homem manda uma mulher se calar em público. Esse momento está na Odisseia, poema épico que Homero escreveu há mais de 3.000 anos. Nele, relata as aventuras que Ulisses teve de enfrentar para voltar para casa depois da Guerra de Troia. Enquanto isso, sua esposa Penélope esperava por ele em casa, espantando seus pretendentes, e seu filho, Telêmaco, amadurecia até se tornar um homem. Precisamente, o momento de plenitude do desenvolvimento como homem de Telêmaco chega quando ele manda sua mãe se calar diante de uma multidão: “Minha mãe, vá para dentro da casa e ocupe-se com suas tarefas, o tear e a roca... A narrativa estará sob o cuidado dos homens e acima de tudo sob o meu... Meu é, então, o governo da casa”. O texto mostra como as vozes das mulheres são silenciadas na esfera pública desde que a história começou a ser documentada. O que Homero propõe na Odisseia é uma análise que mostra como uma parte importante da transição de menino a homem passa por aprender a controlar o discurso público ao mesmo tempo em que silencia as mulheres. Asunción Bernárdez Rodal, jornalista e diretora do Instituto de Pesquisas Feministas da Universidade Complutense de Madri, afirma que um dos principais problemas reside no fato de que “as mulheres são tratadas como eternas meninas”. Provavelmente, por causa disso e como Mary Beard enfatiza em seu livro, a voz da mulher não interessa. A autora dá como exemplos práticas atuais, como a realizada pelo parlamento afegão, que desliga os microfones quando não deseja ouvir as mulheres.</p> Na imagem, o quadro Penélope com Seus Pretendentes, do pintor Bernardino Pinturicchio (1509)Getty