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Atentado em shopping de Bogotá deixa ao menos três mortos e vários feridos

Ataque ocorre num momento em que a guerrilha FARC está prestes a concluir a entrega das suas armas

atentado Bogota
Polícia isola os arredores do shopping center Andino. AP

Um atentado ocorrido neste sábado num shopping center de Bogotá deixou pelo menos três mortos e vários feridos, causando pânico na capital da Colômbia. A explosão aconteceu por volta das 17h (19h em Brasília) no banheiro feminino do segundo andar do Centro Comercial Andino, num bairro rico da zona norte da cidade. As autoridades confirmaram a morte de três pessoas, entre elas uma mulher de nacionalidade francesa, e informaram que pelo menos 10 outras ficaram feridas. Nove vítimas foram levadas a clínicas próximas. “Lamento informar que são três as mulheres falecidas por bomba no Centro Andino. Outra está em estado grave, mas não sob risco de morrer”, confirmou, pelo Twitter, o prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa. A francesa que morreu no ataque é Julie Huynh, de 23 anos, que há seis meses trabalhava como voluntária numa escola de um bairro popular.

O presidente Juan Manuel Santos convocou uma reunião do seu gabinete de segurança para a manhã deste sábado e se dirigiu aos cidadãos para lhes pedir unidade. “Que este tipo de terrorismo não seja obstáculo para a festa da paz”, disse, acrescentando que não há indícios de outros possíveis atentados programados para este feriado prolongado do Dia dos Pais. “Não há indícios claros sobre quem pode ter sido o responsável. Várias investigações já estão em andamento. Os responsáveis cairão”, afirmou o presidente, que cumpria agenda oficial na costa caribenha e retornou a Bogotá.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, visita o shopping atingido no atentado.
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, visita o shopping atingido no atentado.

A clínica Country especificou que duas mulheres de 27 e 31 anos morreram devido aos ferimentos, e que outra, de 45, “está em estado crítico de máxima gravidade”, passando por cirurgia. As forças de segurança desocuparam e isolaram a área depois da explosão.

O atentado, que até agora não foi reivindicado por nenhum grupo terrorista, ocorre em plena implantação do acordo de paz entre o Estado colombiano e a guerrilha FARC, num momento em que a maior guerrilha do país está prestes a concluir a entrega do seu arsenal – nesta semana, já havia entregado 60% das armas e munições. Neste contexto, e perante a alta polarização social que cerca o acordo de paz, o ataque ameaça provocar uma tempestade política, num momento crucial para o fim do conflito armado.

O presidente Santos encarregou o diretor da polícia de esclarecer as causas do atentado. “Frente aos fatos no Centro Comercial Andino, ordenei ao general [Jorge Hernando] Nieto que dirija a investigação e me mantenha a par. Minha solidariedade às vítimas”, declarou. “Os técnicos antiexplosivos estão neste momento no local dos fatos para determinar qual elemento provocou este fato lamentável”, afirmou Nieto, que evitou se pronunciar sobre a autoria. “É muito prematuro dar uma informação dessa índole. Estamos fazendo todo um trabalho de investigação que oportunamente daremos a conhecer à opinião pública”, acrescentou. “Não se pode descartar nenhuma hipótese. É preciso avaliar todas elas para determinar qual realmente foi a origem deste atentado”, disse o ministro do Interior, Guillermo Rivera Flórez.

O Executivo se encontra imerso também em um complicado processo de negociação com o Exército de Libertação Nacional (ELN), que em fevereiro passado detonou uma bomba de dois quilos e estilhaços no centro de Bogotá, deixando um morto e dezenas de feridos. Representantes do grupo encarregados do diálogo condenaram o atentado deste sábado. “O ELN repudia o ataque contra civis no Centro Comercial Andino. Compartilhamos a dor e nos solidarizamos com as vítimas, e pedimos seriedade a quem faz acusações infundadas e temerárias; há quem pretenda assim esmigalhar os processos de paz”, declarou o grupo, antes de expressar mais abertamente sua posição. “O ELN condena o execrável fato no Centro Comercial Andino; o Estado deve investigar a fundo para identificar os responsáveis.”

Ricardo Téllez, membro do secretariado das FARC, foi o primeiro membro dessa guerrilha a condenar o atentado. “Compartilhamos a intensa dor dos familiares das vítimas do atentado terrorista no Centro Comercial Andino. Neste momento não existe razão válida para este tipo de ações criminosas. Os inimigos da paz não vão cessar na estratégia do terror.”

O Estado colombiano está combatendo também o terrorismo de quadrilhas de narcotraficantes como o Clã do Golfo, que aproveitaram a desmobilização das FARC para ocupar os territórios tradicionalmente ocupados pela guerrilha. Em maio, o vice-ministro de Defesa disse ao EL PAÍS que essas máfias poderiam cometer atentados nas grandes cidades, embora ele se referisse a ataques contra as forças de segurança, conhecidos como plano pistola, e não contra a população civil. As autoridades, preocupadas com a escalada da violência, ativaram protocolos especiais nas principais capitais regionais.

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