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De assassina em série a voluntária na escola onde estudam seus filhos

Karla Homolka estuprou e matou três adolescentes no Canadá no início dos anos noventa

Karla Homolka, em uma imagem de arquivo.
Karla Homolka, em uma imagem de arquivo. GETTY IMAGES

Pronunciar o nome de Karla Homolka provoca calafrios. No início dos anos noventa, ela e seu primeiro marido, Paul Bernardo, estupraram e assassinaram três adolescentes no estado canadense de Ontário. Uma das vítimas era Tammy Homolka, irmã caçula de Karla. O casal gravou os crimes em vídeo.

Na terça-feira passada, dia 30 de maio, a rede City News informou que Karla Homolka trabalhou como voluntária na Greaves Adventist Academy, a escola particular onde estudam seus filhos em Notre-Dame-de Grâce, um bairro tranquilo no oeste de Montreal. Ao que parece, Homolka acompanhou crianças em passeios temáticos e levou seu cachorro para interagir com os alunos. A rede Breakfast Television abordou Homolka na saída da instituição, mas ela evitou fazer declarações.

“Como você se sentiria ao saber que seu filho está interagindo com uma assassina em série?”, afirmou a mãe de um dos alunos matriculados na escola à Breakfast Television sem se identificar. Outros pais demonstraram preocupação semelhante. Representantes do estabelecimento de ensino esclareceram à mídia que Homolka não é uma voluntária frequente e que em nenhum momento ficou a sós com as crianças já que — segundo as normas do Ministério da Educação do estado de Quebec — seria necessário verificar seus antecedentes criminais.

“Como você se sentiria ao saber que seu filho está interagindo com uma assassina em série?”, declarou a mãe de um dos alunos

Paul Bernardo foi condenado a prisão perpétua em 1985. Em 1993, os advogados de Homolka conseguiram um acordo com a promotoria para que sua sentença fosse de 12 anos de reclusão, com a condição de dar detalhes sobre os crimes e testemunhar contra Bernardo. Homolka contou várias vezes que tinha sido forçada por seu companheiro a participar dos crimes. No entanto, material audiovisual encontrado tempos depois mostrou que ela teve uma participação maior do que havia declarado no episódio. Mesmo assim, o acordo já tinha sido assinado e suas cláusulas impediam modificações.

Homolka saiu da prisão em 2005, casou-se com o irmão de um de seus advogados e mudou várias vezes de identidade. A imprensa canadense a localizou na ilha caribenha de Guadalupe, onde morou por um tempo. Em 2014, voltou a se instalar no Canadá com o marido e filhos, especificamente em Châteauguay, a poucos minutos de Montreal. Vários moradores da localidade demonstraram preocupação por serem vizinhos de Homolka, que agora tem 47 anos. Hoje a intranquilidade habita o oeste de Montreal, especialmente na escola de seus filhos.

Homolka tem direito a uma vida normal? Pagou sua dívida com a sociedade? Seus filhos e marido são vítimas dessa situação? Estas e outras perguntas aparecem com frequência nos debates nos meios de comunicação canadenses. Mesmo que seus advogados tenham conseguido um acordo para evitar que passasse o resto de seus dias na prisão, Karla Homolka, ao que tudo indica, vai cumprir uma sentença social — resultado dos vídeos que demonstram sangue frio e participação em crimes sem qualquer sinal de coação.

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