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Tenista é expulso de Roland Garros depois de tentar beijar repórter ao vivo

Tenista francês tentou beijar a repórter Maly Thomas durante entrevista em Roland Garros

A máxima cai como uma luva: uma imagem vale mais que 1.000 palavras. Nesse caso, um vídeo de 44 segundos. Só 44 segundos que vão da surpresa à indignação, passando pela raiva, a tristeza e a vergonha alheia. Nele, o tenista Maxime Hamou, de 21 anos, comporta-se como um bêbado num saloon norte-americano do século XIX agarrando uma dançarina. Mas o cenário é Roland Garros, em 2017, e Hamou era entrevistado ao vivo pela jornalista Maly Thomas, da Eurosport francesa.

A repórter se aproximou do tenista logo depois da sua derrota, na primeira rodada do torneio, para o uruguaio Pablo Cuevas. Hamou não lhe deu opção: no momento em que ela se posiciona ao seu lado para estender o microfone, ele a agarra de forma brusca e a envolve com o braço. Ela tenta lhe perguntar o que ainda faz por lá, e ele tenta beijá-la, apertá-la mais forte contra o corpo e, como movimento final, a segura pelo pescoço. Durante todos esses segundos, Maly Thomas procura se desvencilhar sem sucesso. Ao fundo, escutavam-se as nítidas risadas dos colegas no estúdio, durante o programa Avantage Leconte.

Maly explicou que a Eurosport lhe pediu que não fizesse declarações, mas repetiu o que já havia dito a outro canal: “Se não estivéssemos ao vivo, teria dado um soco nele.” Muitos teriam aplaudido a iniciativa exatamente por ser ao vivo, porque os 44 segundos são vergonhosos. É uma vergonha o comportamento do tenista. São vergonhosas as gargalhadas incontidas dos apresentadores da Eurosport. É vergonhoso o tuíte pelo qual o vídeo ficou conhecido, que apresenta o atleta como “Hamou, em modo sedutor 30/4”. Sua tradução ao português seria “sedutor fajuto”, mas utiliza a palavra “sedutor” no fim das contas.

Tentar tocar e beijar uma pessoa à força é outra coisa, algo mais próximo do assédio e da agressão que da sedução. Some-se a isso o pouco respeito pelo trabalho da repórter, não só por parte do tenista, mas também de seus colegas, que, além de lhe dedicarem gargalhadas, aplaudiram o ato. A Eurosport pediu desculpas na tarde deste 30 de maio através do Twitter, anunciando que também fará isso ao vivo durante o programa de Henri Leconte desta noite. Os seguidores do canal esportivo se perguntam quem fará o anúncio do “perdão oficial”. Será o tenista (número 287 na classificação da ATP) por um comportamento inaceitável? Ou os próprios jornalistas, incluindo o apresentador Henri Leconte?

Os responsáveis pela competição francesa, que ainda não responderam às perguntas feitas por este jornal, emitiram um comunicado há algumas horas. “Os organizadores do torneio de Roland Garros decidiram revogar a participação de Maxime Hamou após seu comportamento inadequado com uma jornalista ontem, segunda-feira, 29 de maio. O presidente da Federação Francesa de Tênis pediu ao comitê que [o] investigue por conduta imprópria.”

Talvez essa simples expulsão não seja suficiente para uma competição internacional como Roland Garros. Talvez a Federação Francesa de Tênis deveria ter se estendido mais em seu comunicado e adotado outro tipo de medida. Talvez os jornalistas que riram ante a situação – que chega a ser violenta – deveriam pensar que têm uma responsabilidade diante de milhões de telespectadores e que isso, uma vez mais, só aumenta a sombra que ainda se arrasta sobre as profissionais dos meios de comunicação: a de serem tratadas sem respeito, sobretudo na cobertura de competições masculinas, como se alguém as tivesse colocado ali só para segurar um microfone

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