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Basquiat bate recorde para um leilão de artista americano, com 110 milhões de dólares

Empresário japonês adquire na Sotheby’s tela do grafiteiro nova-iorquino que morreu em 1988, aos 27 anos

A tela sem título do artista Jean-Michel Basquiat.
A tela sem título do artista Jean-Michel Basquiat. EFE

A inquietante cabeça negra de Jean-Michel Basquiat coroou entre vivas a semana de leilões de arte contemporânea em Nova York, ao obter 110,5 milhões de dólares (367 milhões de reais) por uma tela sem título na Sotheby’s. É um preço recorde para um artista norte-americano, que desta maneira entra no exclusivo clube integrado por Andy Warhol, Barnett Newman, Jasper Johns, Francis Bacon, Roy Lichtenstein, Jackson Pollock, Willem de Kooning e Pablo Picasso.

Basquiat nasceu no bairro nova-iorquino do Brooklyn, de pai haitiano e de mãe porto-riquenha. Tinha 27 anos quando morreu de overdose na região do NoHo, no distrito de Manhattan, em 1988. A guerra de lances por sua tela durou 10 minutos, algo pouco habitual. O preço é praticamente o dobro dos 57,2 milhões de dólares do recorde pessoal anterior do artista, num leilão do ano passado na Christie’s.

O preço de saída do desenho sobre fundo azul assinado por SAMO, como ele se apresentava quando grafitava nos muros de Nova York, foi estabelecido em 57 milhões de dólares, já bem perto do recorde anterior de Basquiat. A disputa foi a dois. Um dos potenciais compradores, que estava na sala, parou nos 97 milhões de dólares. O que agia por telefone pôs um milhão mais, cifra à qual terão que ser somados os gastos e comissões.

O colecionador japonês Yusaku Maezawa.
O colecionador japonês Yusaku Maezawa. EFE

A Sotheby´s informou depois que o novo dono é o colecionador e empresário japonês Yusaku Maezawa, fundador da empresa de comércio eletrônico Start Today e do portal ZOZOTOWN. A intenção do magnata é que a tela seja exposta no museu que pretende criar em sua cidade natal, Chiba. Maezawa, de 41 anos de idade, tem uma fortuna estimada em 3,5 bilhões de dólares (11,5 bilhões de reais).

Maezawa volta ao tema Basquiat. Ano passado ele também comprou sua outra obra sem título. O colecionador tem a intenção de emprestá-la a museus de todo o mundo para que o público possa experimentar a “emoção” e a “gratidão” que sente pela arte. “Espero que dê tanta alegria aos demais como deu a mim”, diz. O empresário japonês espera, além disso, que essa obra prima “inspire as gerações futuras”.

Três décadas depois

O quadro sem título de Basquiat, de 1982, é uma grande obra. Ele a criou com 21 anos, no momento mais importante de sua carreira como artista. “Tudo o que tocava era fantástico”, disseram os responsáveis da Sotheby’s durante a apresentação da tela antes do leilão. A obra era de tamanho grande, 1,83 metros de altura por 1,73 de largura. O comprador anterior pagou 19.000 dólares (62.000 reais) em um leilão em 1984.

Desde então ela não voltou a ser vista em público. Os especialistas afirmam que é um dos três melhores quadros de Basquiat, transformado agora em “uma grande obra prima”, como se ouviu dizer na sala quando o nome do vencedor do leilão foi anunciado. Nessa semana foram leiloados pelo menos 14 trabalhos do artista na Sotheby’s Christie’s. Suas criações repercutiram durante os protestos nos EUA contra a brutalidade policial.

Pablo Picasso continua mantendo o recorde para a obra de arte mais cara vendida em um leilão, com 179,4 milhões de dólares (590 milhões de reais). Só existem 10 obras até hoje que foram leiloadas por mais de 100 milhões de dólares (328 milhões de reais). A de Basquiat é a sexta mais cara vendida após uma disputa em público.

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