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Clube de Hagi é campeão com apenas oito anos de existência

Ex-jogador do Real e do Barça e destaque da Copa de 1994 conduz o jovem Viitorul Constanta a seu primeiro campeonato na Romênia

Hagi é erguido por seus jogadores.
Hagi é erguido por seus jogadores. EFE

Os alunos da chamada Academia de Futebol fundada pelo ídolo Gheorghe “Gica” Hagi há apenas oito anos, se graduaram com louvor no último fim de semana ao ganhar seu primeiro título do Campeonato Romeno com o Viitorul Constanta. A equipe de Hagi, composta por jovens promessas do futebol romeno, proclamou-se campeã do país pela primeira vez na última rodada do playoff do torneio. Sob o comando do ex-jogador do Real Madrid e do Barcelona, o pequeno clube provinciano, cujo estádio tem capacidade para apenas 4.500 pessoas, conseguiu assim um recorde europeu, ao se tornar o primeiro a virar campeão nacional poucos anos depois de sua fundação.

“Somos os campeões mais jovens da Europa, mas por trás desse incrível êxito há uma escola forte”, afirmou um eufórico Hagi, que ficou conhecido como o “Maradona dos Cárpatos”. O romeno foi um dos grandes destaques da Copa do Mundo de 1994. Refere-se aos 300 jogadores que treinam na academia de futebol do Viitorul de Constanta, uma cidade portuária no Mar Negro. Dedicação, paixão e ambição. Essas são as bandeiras levantadas pelo ex-meio-campo internacional, que em sua época como jogador impressionava o mundo com sua visão de jogo e seus gols de pé esquerdo. “Sempre digo aos jogadores que eu tive talento, mas também ambição. Isso faz a diferença”, destacou Hagi, que, aos 52 anos, obteve seu primeiro título como técnico.

Criado em 2009, o Viitorul (“futuro”, em romeno) subiu à primeira divisão apenas quatro anos mais tarde. Outros quatro anos depois levou o título máximo da liga. “Fomos os campeões da categoria júnior durante cinco anos seguidos e agora conquistamos o mesmo com a equipe principal”, disse Hagi em entrevista ao canal Digisport. “Na vida, quando se tem um conceito técnico, quando se tem uma visão saudável, é possível chegar ao êxito. Nada é por acaso”, acrescentou o técnico, cujo time está cheio de jogadores com apenas 18, 19 ou 20 anos.

Hagi se inspirou nos modelos de escolinha dos diferentes clubes da Espanha, da Itália e da Turquia. No entanto, sua maior referência como treinador é o lendário jogador e técnico holandês Johan Cruyff, morto no ano passado, com quem aprendeu que “o mais difícil é fazer o mais simples”. Em sua academia de futebol os jogadores treinam duas vezes por dia, três horas de manhã e três horas à tarde. Mas o próprio Hagi parece também não descansar nunca. No domingo, um dia depois de se tornar campeão, e sem mal dormir por causa das comemorações, ele se levantou cedo para acompanhar uma partida da equipe júnior. “Quero saber de tudo”, afirmou.

“Treinamos muito, fizemos o que Hagi nos disse, assim como se viu em campo”, disse, após a vitória, o meio-campo Gabriel Iancu. “Com trabalho, você pode atingir seus objetivos”, afirmou o jogador romeno à EFE. Já para Gheorghe Popescu, outro mítico ex-jogador romeno do Barcelona, o triunfo do Viitorul é um “milagre” e a prova de que o futebol de seu país “tem recursos para exibir jogadores de alto nível”. “As pernas dos jogadores mais jovens tremiam em alguns momentos, era possível ver a falta de experiência”, recordou em declarações à EFE o cunhado e companheiro de Hagi na seleção de seu país. O Viitorul Constanta disputará agora a fase preliminar da próxima Liga dos Campeões da UEFA. Para poder chegar à fase de grupos, Hagi prometeu algumas contratações para fortalecer sua jovem equipe.

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