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Curdos tomam cidade estratégica para conquista da ‘capital’ do Estado Islâmico

Tropas apoiadas pelos EUA assumem o controle de Tabqa e da sua estratégica represa

A aliança rebelde Forças Democráticas da Síria (FDS), uma coalizão dominada por tropas curdas e apoiada pelos Estados Unidos, tomou a cidade de Tabqa, 50 quilômetros a oeste de Raqa, a capital do Estado Islâmico (EI), confirmou nesta quinta-feira o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, uma ONG com informantes na região. Após seis meses de batalha contra os jihadistas, as Unidades de Proteção do Povo (YPG, na sigla em curdo) e seus aliados da insurgência sunita privaram o EI do seu enclave e da estratégica represa vizinha, no rio Eufrates, que contém a maior reserva de água da Síria e tem para o país uma importância equivalente à da represa de Assuã no Egito. Pouco depois de Washington anunciar a decisão de rearmar os combatentes curdos, a queda de Tabqa, na noite de quarta-feira, abre caminho para a conquista de Raqa, o bastião a partir de onde o EI planeja suas ações de terror mundo afora.

Estado Islâmico Síria
Um membro das milícias curdas da Síria que lutam contra os jihadistas, no norte da cidade de Tabqa, em uma imagem do 30 de abril. AP

“Nossas forças se apoderaram da represa e da cidade de Tabqa”, declarou Nasser Mansur, porta-voz das Forças Democráticas Sírias. Desde novembro de 2016, a coalizão de forças curdas e árabes avança em direção a Raqa, que contava com 250.000 habitantes em 2011 – cifra que diminuiu para 75.000 em mais de seis anos de guerra civil. Depois da conquista da cidade pelo EI, em 2014, 10.000 jihadistas se instalaram com suas famílias no bastião do califado na Síria.

Os EUA respaldaram o avanço das FDS com sua aviação de combate e a mobilização sobre o terreno de quase 1.000 integrantes das suas forças especiais. Uma operação aerotransportada norte-americana deixou os milicianos curdos às margens do Eufrates para poder lançar o assalto final contra Tabqa, onde os jihadistas se protegiam com campos minados, carros-bombas e drones armados.

As dúvidas suscitadas sobre a integridade da represa e sua central hidrelétrica depois dos bombardeios interromperam os combates durante semanas. Engenheiros sírios tiveram que reparar e abrir as comportas para evitar que o colapso da estrutura causasse uma catástrofe água abaixo. A ONU alertou para o risco de uma inundação que chegaria até Deir Ezzor, a 150 quilômetros.

A capital síria do EI se encontra agora ao alcance das tropas rebeldes das FDS apoiadas por Washington. É bem provável que Raqa seja submetida a um prolongado cerco, numa nova batalha bairro a bairro como a que é travada em Mossul, a grande capital do califado no norte do Iraque, onde os jihadistas ainda mantêm seus últimos redutos.

Os EUA autorizaram na segunda-feira o envio direto de armas aos combatentes das YPG para acelerar o avanço rumo a Raqa, uma decisão que provocou a oposição frontal da Turquia. O Governo de Ancara tachou de inaceitável a entrega do armamento às tropas curdas, porque vê nisso um risco à sua segurança, devido à estreita relação desse grupo com a guerrilha separatista do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que pegou em armas contra o poder central turco em 1984 e é apontado como uma organização terrorista pela União Europeia e os EUA.

O Governo de Washington fornece armas e material logístico às tropas curdas da Síria desde 2014, embora se tratasse de armamento leve. Posteriormente começou a oferecer veículos blindados às unidades árabes sunitas da coalizão FDS. Agora, todos os membros dessa aliança insurgente vão receber “muito rapidamente”, segundo um porta-voz militar norte-americano, metralhadoras pesadas para responder aos carros-bombas que o EI lança contra suas fileiras, além de morteiros, equipamentos para a detecção de minas e veículos blindados. A Administração de Donald Trump não hesitou em rearmar os curdos da Síria apesar das advertências do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Os EUA responderam a Ancara que os armamentos entregues foram cuidadosamente escolhidos para que não representassem uma ameaça a um país aliado na OTAN.

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