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Luis Enrique: “O que Neymar faz parece balé”

Técnico e jogadores do Barça elogiam o brasileiro, que incendiou e resolveu o jogo contra o Villarreal

Barcelona - Villarreal Ampliar foto
Neymar controla a bola diante do Villarreal. AFP

Neymar recolheu na intermediária e desenhou um ziguezague que é a marca da casa, egoísta com Digne porque não lhe passou a bola, preferindo em vez disso acompanhá-la numa série de requebros que balançaram e desequilibraram a zaga rival. O Villarreal ainda ameaçou desarmá-lo, mas o brasileiro, rebelde e ambicioso como é, decidiu que essa bola era dele. Recuperou-a para entregá-la a Busquets, este esticou para que Messi definisse de fora da área com a ajuda de Musacchio, que a desviou para o contrapé do goleiro, até a rede. A jogada ocorreu pouco antes do intervalo – o Villareal nem teve tempo de recolocar a bola em jogo –, determinou o 2 x 1 no placar e serviu para explicar o confronto, porque o Barça não corria nem fazia a bola correr, mas tinha Neymar predisposto a agitar um duelo soporífero. Ele foi a nota discordante que acabou por contagiar o tridente.

O ataque do Barça bastou para nocautear o Villarreal, muito tímido no Camp Nou, na derrota por 4 x 1, pela 36ª rodada do Campeonato Espanhol. Messi anotou dois e já soma 51 nesta temporada, Luis Suárez fez outro, e Neymar completou o placar. “O gol no último minuto do primeiro tempo pode tê-los afetado”, admitiu Piqué, “mas fizemos uma grande partida, contra um rival que sofre poucos gols, e nós fizemos quatro”. Luis Enrique opinou: “Precisávamos ser precisos no ataque e minimizar as perdas no corredor central, para que eles não pudessem se conectar com seus dois pontas. E só nos superaram em um par de ocasiões. Foi uma partida muito completa, porque marcar quatro gols nesse rival indica como fomos bem”.

Todos esses gols foram do tridente, que pela terceira temporada consecutiva soma mais de 100 tentos. “Anos atrás havia um craque por time. E quando foi possível contratar o Neymar disseram que dois não era bom sinal, que haveria tensão”, afirmou Luis Enrique; “e aqui tem três na frente. É algo a levar em conta por nós que decidimos que eles viessem, porque é um ataque diferente, certamente o melhor do mundo. Então, divirtam-se”. Digne foi além: “As estatísticas falam por si mesmas, é o melhor ataque do mundo, e todos sabem disso”.

Neymar é o futebol da rua, esse que só precisa de duas pedras e uma bola para se divertir, que comemora dribles e canetas como gols, que se descreve com ataques mais do que com defesas. “É um jogador de características excepcionais, mágico. Embora estejamos em tempos nos quais a magia pune, onde é mais bem visto roubar uma bola que dar espetáculo. Mas acredito que Ney faz muito bem ao futebol”, elogiou Piqué. “É um fenômeno”, acrescentou Umtiti. “O tempo dirá se marca uma época”, intercedeu Luis Enrique; “mas sua interpretação é diferente da de todos os jogadores brasileiros. Entende o futebol como [se fosse de] Marte, faz dribles inverossímeis a tal velocidade que não se veem… Qualquer fã de futebol precisa valorizar o que ele faz, porque muitas vezes parece balé ou alguma coisa excepcional, e não uma finta de futebol. É bonito, efetivo e espetacular”.

O 11 desejava vencer a todo custo. Não queria voltar a esparramar lágrimas de crocodilo no gramado, como fez após cair contra a Juve na Champions. Desta vez, Neymar festejou com passos de samba, gesto de surfista e homenagem a Carles Naval, que completava 30 anos como delegado da equipe. Foi comemorar o seu gol – aquele iniciado por Luis Suárez pela direita, que Messi acelerou com um chute do segundo pau e cujo rebote Neymar aproveitou. Nada raro, a levar em conta suas estatísticas contra o conjunto amarelo: nove gols em nove jogos. Depois, foi seguido pelo tridente, que dividiu o triunfo entre si. Mas a glória foi de Neymar, que ainda arrancou um ou outro “oooohhhh!” coletivo, sinal de exclamação e assombro por ser, com a bola nos pés, como os malandros dos jogos das tampinhas: olhe bem, está aqui, agora escondo, levo para o lado contrário do que o quadril indica. Um recital de dribles que enfeitou com uma última jogada de fraque sobre a linha de fundo, que acabou em pênalti por toque de mão. Messi o converteu ao estilo Panenka. Mas as melhores nota de rock & roll num duelo com mais gols do que jogo foram de Neymar, um jogador da Escola da Rua, que joga para se divertir e para ganhar.

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