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‘Star Wars’ é para sempre, 40 anos depois

Saga comemora seu aniversário reunindo George Lucas, Mark Hamill, Harrison Ford e John Williams

Vídeo: Ford abraça George Lucas

“Este é o melhor momento para ser fã de Guerra nas Estelas”. Foram palavras do ator Warwick Davis na apresentação da imensa homenagem que a Disney organizou em Orlando (Estados Unidos) para os fãs pelos 40 anos do início de uma história que parece não ter fim. Davis foi o mestre de cerimônias de uma festa que não quis deixar ninguém de fora e nenhum dos seis filmes criados por George Lucas antes de vender a franquia para a Disney. Cerca de 3.000 pessoas passaram a noite na calçada fazendo fila para assistir ao primeiro ato da Star Wars Celebration que terá seu ponto alto no domingo, com o painel de Mark Hamill (Luke Skywalker) com os mais fanáticos.

Surpresas são esperadas, mas não tantas. A presidenta da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, chamou Lucas em pessoa. Desde que a Disney comprou os direitos, o criador de Guerra nas Estrelas há mais de quatro décadas tinha passado ao segundo plano por decisão própria. Cedeu os direitos, mas permaneceu como consultor para filmes futuros. “A maior honra é reconhecer o homem cujo gênio uniu todos nós”, disse Kennedy momentos antes de chamar o cineasta. Os fãs da saga galáctica ficaram de pé para demonstrar esse reconhecimento. Parecia que seria a grande surpresa da manhã, mas não foi. Harrison Ford (Han Solo) também passou pelo palco de forma inesperada. Ninguém no enorme salão onde aconteceu a apresentação conseguiu evitar um grito de surpresa.

Antes da entrada de Ford, Lucas falou um pouco sobre o processo de levar adiante o primeiro filme, que acabou mudando a maneira de fazer cinema em Hollywood, deu lugar aos grandes blockbusters e a uma forma de fazer do cinema um dos maiores negócios do mundo. Não revelou nada de novo, mas fez um agradecimento especial a Alan Ladd Jr., o homem da 20th Century Fox que, depois de assistir a American Graffiti (“um filme que só eu gostei, nem a crítica e o estúdio gostaram”), lutou para concretizar a ideia de Lucas. Uma ideia baseada “nas séries que via quando era pequeno, aqueles filmes de aventuras”.

Lucas, na frente dos 3.000 fãs mais ardorosos, muitos dos quais viram o primeiro filme, há 40 anos, nos cinemas, quis lembrar a quem estava dirigido o filme: “É um filme para crianças de 12 anos, assim foi criado, com mitologia e emoções. Era uma maneira de dizer a elas: você vai entrar no mundo adulto, provavelmente está com medo, e isso é uma ideia do que precisa aprender. Amizade, honestidade, confiança, fazer a coisa certa, evitar lado escuro”, disse o cineasta. O diretor quis enfatizar essa ideia lembrando a filmagem de Ataque dos Clones (o episódio II, o quinto filme realizado) em Sevilha: “O mais emocionante são os fãs. Quando estava filmando na Praça de Espanha tínhamos tudo cercado. Atrás da cerca havia cerca de 10.000 pessoas, e muitas eram crianças, que nem sabiam quem eu era, mas tudo que queriam era que eu me aproximasse para que pudessem tocar minha mão. Foi para isso que fiz Guerra nas Estrelas”. “No mundo real, os críticos e alguns fãs não são muito amáveis, mas quando você vê as crianças e seus rostos, esquece tudo”, disse ele.

Fãs de ‘Guerra nas Estrelas’ chegam para a Star Wars Celebration 2017, em Orlando.
Fãs de ‘Guerra nas Estrelas’ chegam para a Star Wars Celebration 2017, em Orlando. AP

No palco Galaxy, pelo qual também passarão os protagonistas da nova trilogia na sexta-feira, apareceram alguns atores tanto da trilogia antiga como da seguinte feita por Lucas: Anthony Daniels (o androide C3PO, único personagem que aparece em todos os filmes feitos até agora da saga de Skywalker), Billy Dee Williams (Lando Calrissian), os dois metros e 18 centímetros de Peter Mayhew (Chewbacca), Hayden Christensen (Anakin Skywalker), Ian McDiarmid (o imperador Palpatine). Claro, Mark Hamill, o próprio Luke, teve seu momento de glória. Mas Hamill também será protagonista de outros painéis durante todo o fim de semana e a grande ovação da noite foi para Harrison Ford, que ninguém esperava, mas todos queriam ver. O fim da história de Han Solo no Episódio VII: O Despertar da Força parecia indicar que o ator não iria aparecer em Orlando. O anfitrião do evento, o ator Warwick Davis (Wicket, o Ewok), não perdeu a oportunidade de brincar sobre os últimos incidentes de aviação de Ford. O próprio ator e George Lucas tinham brincado com o assunto. Lucas: “Quando fizemos o casting perguntamos se ele sabia voar”. A resposta de Ford: “Eu disse que sim, que sabia voar, mas aterrissar...”.

Quando parecia que o grande final seria a homenagem à Princesa Leia e a Carrie Fisher, falecida em dezembro, com um vídeo com a música Rebel Rebel de fundo, de um lado do palco caiu uma cortina. Atrás dela estava a orquestra filarmônica de Orlando conduzida pelo compositor John Williams, que interpretou o tema principal da saga, a marcha imperial que sempre acompanha Darth Vader e, especialmente, o tema da Princesa Leia. As lágrimas de alegria e de saudade de Fisher inundaram a sala. A ovação final foi ouvida a centenas de galáxias de Orlando.

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