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EUA, México e Canadá apresentam candidatura para sediar a Copa de 2026

Federações dos três países da América do Norte confirmam proposta pelo Mundial com o apoio de Trump

FIFA Copa do Mundo 2026
Victor Montagliani, presidente da CONCACAF AP

Estados Unidos, México e Canadá compartilharão a candidatura pela Copa do Mundo de 2026. É a primeira vez na história da competição que três países unem forças para serem anfitriões do torneio. O presidente dos EUA, Donald Trump, apoia o projeto, apesar de defender renegociar as relações comerciais entre os três parceiros e da tensão causada por sua controversa proposta em imigração.

As três federações de futebol da América do Norte escolheram o mirante da Torre da Liberdade, o edifício mais alto no hemisfério ocidental, transformado em um símbolo de superação depois da tragédia do 11 de Setembro, para fazer o ambicioso anúncio da candidatura conjunta. Na realidade se trata de uma ideia que era motivo de especulação no âmbito da Concacaf – a confederação regional – desde que os Estados Unidos perderam para o Catar a disputa para sediar o torneio em 2022.

Do anúncio participaram Sunil Gulati, presidente da federação dos EUA, Victor Montagliani, da canadense e da Concacaf, e Decio de María, da mexicana. A coletiva de imprensa tinha por objetivo explicar como as três nações vão dividir a realização do segundo evento esportivo mais importante, depois dos Jogos Olímpicos. A iniciativa está de acordo com a visão de Gianni Infantino, que já havia advertido o presidente estadunidense sobre seu veto migratório. O novo presidente da FIFA defende uma melhor distribuição das receitas.

Os Estados Unidos liderarão a organização da competição, acolhendo 60 dos 80 encontros. Os vinte restantes serão disputados em partes iguais no México e Canadá. Gulati afirmou que cinquenta estádios dos três países já cumprem os critérios da FIFA para receber a Copa de 2026, por isso, não descarta a possibilidade de que se apresente um número acima do recomendado. Também destacou a estreita relação entre as três federações na hora de organizar eventos.

Os EUA realizaram o Mundial em 1994, além da Copa América Centenário em meados do ano passado. O México foi o anfitrião em 1970 e 1986. A Copa de 2026 terá a participação de 48 seleções (atualmente são 32). A FIFA prevê designar o anfitrião em maio de 2020. Japão e Coreia do Sul já realizaram um torneio conjunto em 2002, ano do pentacampeonato da seleção brasileira. Mas uma candidatura única de três países não tem precedentes.

O anúncio tem uma importante consequência política, pelas tensões entre Estados Unidos e México depois da chegada de Donald Trump à Casa Branca. O republicano, por um lado, quer revisar o tratado de livre comércio existente entre os três parceiros da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês) e, por outro, tem em andamento o projeto para erguer um muro na fronteira sul do país para combater a imigração ilegal.

Apoio de Trump

Gulati explicou que a candidatura conjunta vinha sendo planejada havia quatro anos. Mas antes de tomar a decisão queriam ter claras quais as regras e equipes poderiam disputar a Copa. Também queriam conhecer o resultado das últimas eleições presidenciais. “O presidente Trump nos apoiou e incentivou a fazê-la juntos”, afirma o presidente da federação dos EUA, “especialmente que a façamos com o México”.

De María considera que este anuncio é importante porque mostra que o futebol “permite construir projetos, sonhos e emoções”. “Os três países somarão mais de 500 milhões de habitantes chegados de todo mundo no momento em que se disputar o Mundial”, previu o mexicano, “vamos receber todos os que quiserem desfrutar desta grande festa”. “Assim se constrói uma bonita história”, garantiu.

A Copa dos EUA continua mantendo o recorde de espectadores, com mais de 3,5 milhões de pessoas que foram aos estádios. E isso apesar de que naquela ocasião o torneio era disputado por 24 seleções. A candidatura conjunta permitirá, portanto, repartir melhor os custos com o novo formato expandido e potencializar os retornos. Isso torna as coisas muito mais fáceis para que a tripla opção prospere.

Ao EUA têm jogado na Copa desde 1994 e o México, desde 1994. A última vez que o Canadá se classificou foi em 1994. Ser um dos anfitriões não garantirá um lugar para a seleção canadense na reta final da competição, a não ser que a Concacaf consiga que a FIFA aprove sua proposta de ter seis seleções dessa confederação disputando a Copa. Por sua vez, a Argentina e o Uruguai demonstraram já seu interesse em organizar juntos o Mundial de 2030.

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