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Neymar é punido e não disputará o clássico contra o Real Madrid

Atacante brasileiro pega três jogos de suspensão na Espanha

É o jogador do Barça com mais cartões na temporada

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Neymar está suspenso por três jogos no Espanhol. AFP

Neymar será desfalque no clássico contra o Real Madrid em 23 de abril, no Santiago Bernabeu. O Comitê de Competição da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) puniu o atacante brasileiro com três partidas de suspensão, após ter sido expulso na última partida do Barcelona no campeonato, contra o Málaga em La Rosaleda (2 x 0). O Barça vai recorrer ao Tribunal Arbitral Desportivo (TAS) para tentar diminuir a punição. Antes do jogo contra o Madrid, a equipe de Luis Enrique recebe a Real Sociedad no próximo sábado, no Camp Nou.

Neymar levou o vermelho após dois cartões amarelos contra o Málaga. O primeiro, por não respeitar a distância exigida numa falta após receber uma bronca do árbitro Gil Manzano. O brasileiro estava amarrando os cadarços da chuteira. O segundo cartão amarelo foi resultado de uma falta sobre Llorente, em que chegou atrasado no lance. O problema para Neymar foi que, depois de ser expulso, quando caminhava em direção ao túnel para os vestiários, “aplaudiu o quarto árbitro”, de acordo com o relato na súmula. Pelo regulamento espanhol, menosprezar um dos membros da arbitragem acarreta uma pena de dois a três jogos.

A alegria de Neymar é inquestionável; mas o seu temperamento, também. O camisa 11 do Barcelona é tão capaz de encarar a crítica da imprensa brasileira, como quando as coisas andavam mal para a seleção brasileira, quanto de enfrentar sem hesitação os zagueiros mais violentos. Próximos do atleta dizem que ele está mais maduro e calmo nesta temporada, que tem se cuidado como nunca, com disposição para voltar a lutar pela Bola de Ouro, o The Best ou qualquer outro prêmio recebido pelos melhores jogadores de futebol do mundo. No entanto, no campo, Neymar não consegue controlar o seu gênio. E, quando parecia que já tinha deixado para trás os comportamentos infantis, ele volta a aprontar, como fez no sábado contra o Málaga. Quando seu time mais precisava dele, Neymar foi expulso de campo por causa de dois cartões amarelos difíceis de justificar para um jogador de 25 anos que já foi capitão de sua seleção em dois momentos.

Luis Enrique, porém, o justificou em público. Para defender seu atacante, o técnico recorreu a um argumento externo ao seu manual de instruções: responsabilizar os árbitros. “Dar um cartão por amarrar as chuteiras...”, questionou o treinador do Barcelona, referindo-se ao primeiro cartão amarelo de Neymar no jogo contra o Málaga. Segundo a súmula de Gil Manzano, o cartão se deveu ao fato de o jogador não ter respeito a distância regulamentar. A questão é que não é a primeira vez que o brasileiro tem problemas com os seus calçados. Nos últimos dois meses, em cinco jogos diferentes, Neymar ou trocou de chuteira ou teve de amarrá-la durante uma partida. “É um incômodo, simplesmente, com a chuteira, por isso acaba trocando. Sabemos que é arriscado quando um jogador está fora de campo, mas prefiro que fique um minuto fora e que depois jogue a partida toda se sentindo bem. Tentaremos fazer com que isso não volte a acontecer, mas ele não troca de chuteira por prazer”, dissera Luis Enrique antes do confronto em La Rosaleda. Mas aconteceu de novo.

O problema de Neymar não é apenas que a chuteira lhe aperta os pés ou que os cadarços se soltam. Têm acontecido, além disso, vários ataques de raiva durante os jogos. O camisa 11 é o segundo jogador do Barcelona que mais cartões recebeu ao longo da temporada: 13. E são 15 somando-se os dois que tomou diante do Málaga. Nove desses cartões foram aplicados quando a bola não estava em jogo. .

Problema com os amarelos

Nesta temporada, o Barcelona tem tido problemas com os cartões. Nos 49 jogos disputados, seus jogadores já receberam 104 cartões amarelos e quatro vermelhos (Mathieu, na Champions League; Sergi Roberto e Luis Suárez na Copa do Rei; e Neymar, no Campeonato Espanhol). É a quarta equipe espanhola em quantidade de cartões, somando-se todas as competições: só perde para o Alavés (120), Sevilla (115) e Celta (106). Em relação às oito equipes que disputarão a passagem para as semifinais da Champions, está em primeiro lugar. O Real Madrid recebeu 88; Atlético de Madrid, 94; Leicester, 77; Monaco, 84; Dortmund, 68; Bayern de Munique, 56; e Juventus, 85.

“É curioso que, mesmo não sendo violentos, temos levados tantos cartões de forma incompreensível”, avalia Luis Enrique. O Barcelona comete 11,4 faltas em média por jogo. E os números mostram que seus jogadores recebem 2,1 cartões amarelos em média por partida. Uma estatística encabeçada por Neymar, que registra um cartão a cada três jogos. O brasileiro, realmente, não aprende. E sua presença é dúvida, agora, para o clássico contra o Real Madrid, em 23 de abril. Ele pode levar uma suspensão de duas ou três partidas por conta de um suposto desrespeito ao quarto árbitro quando, depois de ter sido expulso, o aplaudiu a caminho do vestiário.

Dois anos sem expulsões no Espanhol

Neymar é o primeiro jogador do Barcelona a receber um cartão vermelho no Campeonato Espanhol desta temporada. É preciso remontar a 25 de outubro de 2015 para lembrar de um outro atleta do time que tenha sido mandado para o chuveiro mais cedo. Naquela ocasião, foi Mascherano, no jogo contra o Eibar. “O juiz quis aparecer demais”, queixou-se Robert Fernández, diretor esportivo do Barcelona, após o jogo com o Málaga.

O primeiro a criticar a arbitragem, nesta temporada, foi Piqué. “Já sabemos como isso funciona”, disse o zagueiro central depois do jogo com o Athletic ao questionar o fato de o árbitro não ter marcado pênalti em um lance contra Neymar e ter deixado sem punição uma agressão de Aduriz contra Umtiti. Ele voltou a atacar os juízes depois do jogo entre Villareal e Real Madrid, em que não se assinalou um pênalti que teria sido cometido por Bruno aos 29 minutos do segundo tempo, garantindo o empate de 2 a 2. “A cada semana que passa, me dão mais razão”, disse o atleta, levando uma multa de 3.000 euros. Piqué voltou a fazer críticas em Paris após uma partida da seleção espanhola.

Iniesta, em contrapartida, não quis criticar o trabalho dos juízes em Málaga. “Falar dos árbitros não nos leva a nada”, disse o capitão do Barcelona.

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