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EDITORIAL

Trump responde à Síria

Nova administração dos EUA indica limites a Putin e Assad

Míssil Tomahawk disparado de um navio norte-americano com destino a um alvo na Síria.
Míssil Tomahawk disparado de um navio norte-americano com destino a um alvo na Síria. AP

O ataque norte-americano realizado na madrugada de sexta-feira contra uma base aérea síria significa uma escalada de consequências imprevisíveis em um conflito cuja solução pacífica está cada vez mais distante. A ação militar é uma resposta direta ao uso de armas químicas, provavelmente pela aviação de Assad, em uma área em poder dos rebeldes, que fez numerosas vítimas civis. Embora a guerra civil síria já tenha deixado um rastro terrível da morte, destruição e o deslocamento de milhões de pessoas, obrigadas a deixar suas casas, continua — como qualquer conflito armado — sujeita às regras resultantes do consenso da comunidade internacional, sendo uma das principais a proibição absoluta da utilização de armas de destruição de massa, entre as quais figuram as armas químicas.

A flagrante violação das convenções sobre a guerra e os compromissos assumidos por Damasco há três anos — precisamente depois do uso de armas químicas por parte de suas tropas — colocou em uma posição difícil a nova Administração norte-americana, que viu como o acordo conseguido por Barack Obama voou pelos ares. Talvez Assad tenha agido na falsa crença de que a boa sintonia entre Donald Trump e Vladimir Putin deixaria impune sua ação criminosa. Os 59 mísseis Tomahawk lançados contra uma base militar síria são a melhor prova de que não será assim.

O ideal teria sido, indubitavelmente, que a ação dos EUA tivesse sido precedida por algum tipo de apoio multilateral. O melhor, sem dúvida, teria sido o apoio das Nações Unidas. Mas não nos enganemos. Moscou já mostrou que está disposta a bloquear qualquer iniciativa do Conselho de Segurança que seja prejudicial ao seu protegido em Damasco. Foi a Rússia que impediu a colocação em prática dos mecanismos previstos para estes casos, que incluem uma investigação internacional imparcial sobre o ataque químico. Diante do bloqueio praticado por Moscou, Trump tinha pouca margem de manobra, especialmente se quisesse enviar uma mensagem firme para Assad e outros regimes que tendem a violar impunemente os princípios e tratados sobre os quais a paz e a segurança internacionais estão assentadas. Se acertou ou não ainda é impossível dizer. Dependerá, de qualquer modo, de que sua ação sirva para forçar a Rússia e o Irã a lançar de uma vez por todas um processo de paz que inclua a saída de Assad do Governo.

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