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PRISA quer crescer no negócio de mídia na América Latina quando reduzir sua dívida

Cebrián afirma em entrevista à EFE que o grupo não pretende “de modo algum” realizar mais desinvestimentos depois da venda da Santillana

O presidente do PRISA, Juan Luis Cebrián, durante a entrevista. EFE

O grupo espanhol PRISA, editor dos jornais EL PAÍS e Ás, se propõe aumentar seu perímetro no segmento de meios de comunicação, tanto na Espanha como na América Latina, quando sua dívida estiver em níveis “razoáveis” e a empresa tiver estabilizado sua estrutura de capital. “Acredito firmemente na América Latina, em seu futuro econômico, político e cultural”, enfatizou seu presidente, Juan Luis Cebrián, em entrevista à EFE. Além de marcas globais, com presença em vários países, como EL PAÍS, Santillana e 40 Principales, o PRISA tem empresas emblemáticas na América Latina, como a Caracol Radio, na Colômbia, a W Radio, no México, e o grupo Ibero Americano Radio, no Chile.

Cebrián garantiu que o grupo não pretende “de modo algum” realizar mais desinvestimentos quando concluir a venda da Santillana, sua divisão de educação. O presidente do PRISA demonstrou confiança em que com a venda da Santillana –“que é um grande ativo”, disse– e “alguns esforços coordenados” por parte de credores e acionistas a dívida possa ser reduzida a níveis “relativamente baixos”.

A dívida bancária total do grupo PRISA se situou no fechamento do exercício passado em 1,48 bilhão de euros (5,4 bilhões de reais), 10,5% menos que um ano antes. Em 2018, a empresa terá de fazer frente ao vencimento da segunda parcela de um empréstimo sindicalizado que exigirá um desembolso de 956 milhões de euros (3,24 bilhões de reais).

Uma vez resolvido o problema da dívida, o PRISA poderá dedicar-se “a desenvolver o negócio da mídia na Espanha e América Latina com aquisições, fusões e desenvolvimentos orgânicos que agora estão limitados pela própria existência da dívida”, explicou.

Venda da Santillana

Segundo Cebrián, a ideia é vender 100% do capital da Santillana, na qual o PRISA tem uma participação de 75%, já que o outro acionista, o fundo Victoria Capital Partners, também quer desinvestir. “O mais lógico é que cem por cento da Santillana acabe em outras mãos”, observou. O PRISA recebeu as ofertas não vinculantes “há algumas semanas” e espera as vinculantes “para o final de abril”, confirmou Cebrián.

Sobre o valor que o PRISA espera conseguir com esta operação, Cebrián disse que o grupo nunca apresentou cifras, mas que o objetivo é obter um preço que permita resolver o problema da dívida “em termos razoáveis”.

O PRISA “não pretende fazer mais desinvestimentos de modo algum”, enfatizou. “Não só queremos manter todo o perímetro no que se refere à imprensa, rádio e televisão, como até aumentar sua dimensão no futuro, assim que tiver sido resolvido o problema da dívida e o capital estiver estabilizado”, explicou.

Cebrián afirmou que o grupo conta com empresas potentes tanto no negócio da mídia como no da educação, mas não dispõe de capacidade financeira para investir no desenvolvimento dos dois. Quanto à reestruturação do capital, outra das tarefas que a Junta lhe encomendou, Cebrián disse que a estrutura atual “não permite contemplar o futuro com a estabilidade necessária”.

Capital estável

De acordo com Cebrián, o PRISA tem um free float (porcentagem de capital negociada livremente na Bolsa) muito reduzido –de 15%– e o capital está “muito concentrado em poucas mãos, mas, ao mesmo tempo, muito fragmentado”, já que “não há nenhum grupo de referência”. O objetivo é contar com um “capital estável”, que garanta o futuro do grupo e sua “continuidade histórica e cultural”, e, ao mesmo tempo, com acionistas que queiram investir em curto e médio prazo apenas com interesse financeiro.

Quanto à sua eventual substituição à frente do PRISA, Cebrián disse que alguns acionistas estão provocando “muito barulho” em torno desse assunto, “aplicando as táticas habituais desses investidores, que buscam soluções em curto prazo para seus interesses e não parecem preocupados com soluções de médio e longo prazo no interesse dos demais acionistas e da empresa”.

"Minha substituição sou eu que estou preparando. De fato, anunciei na Junta Geral de Acionistas do ano passado que iria implementar um plano de sucessão que já está implementado pelo conselho”, ressaltou. “Se ainda não foi feito é porque tenho o encargo da Junta de resolver o problema da dívida e a estrutura de capital”, explicou.

"Até onde sei, e tenho boas razões para saber disso, a maioria do capital apoia a atual direção, independentemente de ser previsível que haja mudanças no futuro, que eu mesmo anunciei faz mais de um ano”, acrescentou.

Cebrián se mostrou convencido de que haverá processos de consolidação de grupos de mídia tanto na América Latina como na Europa como consequência da revolução digital, concentrações que conviverão com o desaparecimento de empresas do setor e o nascimento de outras, que serão digitais na origem. “Todas as revoluções produzem vítimas”, disse.

Sobre a posição do PRISA na América Latina, Cebrián disse que a região tem um bônus demográfico, uma riqueza potencial formidável que a Europa não tem, e uma criatividade importante”. No entanto, ele especificou que a América Latina “não é um todo” e que “alguns países estão se saindo melhor que outros”.

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