Academia demite os auditores culpados pelo ‘Oscargate’

Auditores da consultoria PwC envolvidos no erro desastroso na cerimônia de premiação do Oscar não poderão mais trabalhar com a tabulação dos votos

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À direita, Brian Cullinan com Martha Ruiz.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas não quer voltar a ver Brian Cullinan e Martha Ruíz. Segundo anunciou na quarta-feira, a presidenta da organização, Cheryl Boone Isaacs, os dois auditores da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) envolvidos no Oscargate não voltarão a trabalhar para a Academia depois do desastroso erro cometido este ano, e que motivou o anúncio errado do vencedor de melhor filme. Ambos, veteranos na empresa, continuarão fazendo parte da consultoria, mas não poderão trabalhar para a Academia. Boone Isaacs inclusive colocou em dúvida sua futura relação com a consultoria com quem a Academia trabalha durante os 80 anos de sua história.

Cullinan, um veterano com 32 anos de experiência e 4 trabalhando para o Oscar, era o chefe da equipe de colaboração com a Academia e da área da Califórnia do Sul da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC). Seu trabalho era o de tabular os votos e, junto com sua colega de trabalho, entregar os envelopes com os nomes dos vencedores durante a cerimônia. Ele deu o envelope errado a Warren Beatty no momento da entrega do último prêmio, o de melhor filme. Ruiz tinha entregado a Leonardo DiCaprio momentos antes o cartão de melhor atriz, que Emma Stone não soltou até receber o Oscar. Cada um dos auditores tinha um jogo de envelopes, já que ficam em extremos opostos do cenário. “O que fazemos é entregar o envelope ao apresentador”, explicou Cullinan em um blog em fevereiro passado. “Não parece muito complicado, mas você precisa ter certeza de que está entregando a cada apresentador o envelope correto”, acrescentou.

Isso foi exatamente o que não aconteceu. Cullinan entregou a Beatty o envelope errado. Em vez de entregar-lhe o de melhor filme, no qual aparecia o nome do filme vencedor, Moonlight, deu o de melhor atriz, prêmio que tinha acabado de ser entregue, no qual se lia Emma Stone e La La Land. A revista Variety demonstrou com fotografias que Cullinan estava mais preocupado em postar mensagens e fotos nas redes sociais durante a cerimônia, aproveitando o lugar privilegiado que ocupou durante toda a cerimônia, do que com os envelopes. Em seu último tuíte acrescentou uma foto de Stone com a estatueta, fotografia que deve ter tirado segundos antes de entregar o envelope errado. Ao fim da cerimônia, o contador eliminou do Twitter todos os rastros de suas mensagens no Oscar, mas o Los Angeles Times conseguiu recuperá-las.

A PwC assumiu horas depois da cerimônia a responsabilidade pela troca de envelopes, que qualificou de “erro humano”. Também ofereceu “suas sinceras desculpas” às equipes de Moonlight e de La La Land, além dos espectadores e de Faye Dunaway e Warren Beatty, os apresentadores do prêmio. A Academia precisou de mais tempo e suas desculpas pelo Oscargate não chegaram até 24 horas depois. Segundo uma entrevista à revista The New Yorker, para Boone Isaacs foram momentos de horror. “Quando vi um membro da Pricewaterhouse saindo do palco pensei ‘Oh, não! O que está acontecendo?’”, lembrou. Enquanto isso, Beatty pediu à presidenta da Academia que “esclareça publicamente” o quanto antes o que aconteceu durante a cerimônia do Oscar. Em um breve comunicado e diante da pressão da imprensa por obter respostas, Beatty disse que “melhor do que responder perguntas sobre a cerimônia seria mais adequado que a presidenta da Academia, Cheryl Boone Isaacs, publicamente esclarecesse o que aconteceu o quanto antes”.

Não se sabe se o Oscargate vai acabar com a relação entre a PwC e a Academia. Segundo vários especialistas, a distribuição de envelopes é o menor dos trabalhos da consultoria. É muito mais complexo o trabalho de contagem e tabulação dos votos, além de outros serviços. E pouca gente conhece o contrato entre as duas empresas que, a priori, deve ser complexo e exaustivo.

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