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Bloco ou bloquinho: Qual é a sua no carnaval paulistano?

Uma pequena curadoria dos blocos mais intimistas aos mais bombados do jovem carnaval da cidade

Foliões no Acadêmico do Baixo Augusta, no último domingo. AFP

"O tarado é legal, mas é muito cheio". Essa frase pode não ter nenhum sentido pra você, se você não estiver em São Paulo na véspera do carnaval. Mas já é a tarde de sexta-feira, muitos de nós já não conseguimos trabalhar direito aqui na redação, e o único tema que realmente é possível de ser levado a sério é: Em qual dos 390 blocos que desfilarão pela cidade neste ano você vai?

O "tarado" da frase é a abreviação do bloco Tarado Ni Você, que sai todo sábado de carnaval pelo centro tocando somente as músicas de Caetano Veloso em ritmo carnavalesco. Parece maravilhoso. E é. Mas se você não gosta de blocos muito grandes, fuja. O Tarado arrasta milhares de pessoas desde a estreia, em 2014, e a cada ano o público só aumenta. Se a multidão não te incomoda, a concentração é na emblemática esquina da avenida Ipiranga com a São João, a partir das 11h do sábado.

O bloco 'Tarado Ni Você' no desfile do ano passado.

O Ilu Obá de Min é outro que já faz parte dos blocos tradicionais na jovem programação do carnaval paulistano. E como todo bloco tradicional, esse é daqueles onde todo mundo está, mas você não consegue encontrar ninguém. No dia seguinte, haja foto nas redes sociais com os comentários "não acredito que você também tava lá". Apesar de cheio, vale a pena: a bateria toda é feita somente de mulheres. Os homens só podem fazer parte do corpo de baile, que, por sinal, é um espetáculo à parte. Em cima de pernas de pau, os bailarinos dançam fantasiados dos orixás e costumam fazer uma grande performance no centro da cidade na noite de sexta-feira. Se quiser ver o bloco passar e fugir da muvuca, no domingo o Ilu desfila pela Santa Cecília a partir das 14h. Nesse dia, dá até pra (tentar) encontrar os amigos. 

Show do Ilu Obá De Min na Praça da República no ano passado.

Fora dos blocões, há os blocos que ficam no meio-termo. Entendemos que meio-termo é uma questão relativa, claro. Se você está acostumado com o carnaval de Recife ou do Rio de Janeiro, achará graça ao que classificamos como nível médio de público. Mas vamos em frente. No sábado, o João Capota na Alves recebe no bairro de Pinheiros famílias, crianças e adultos fantasiados, saindo da esquina entre as ruas João Alves e Capote Valente. Daí o nome. A bateria costuma ser boa e a música é feita de composições próprias. Na mesma linha e no mesmo bairro - e por que não, no mesmo dia - acontece o Bastardo. Não fique na dúvida. Carnaval é só uma vez por ano, portanto, vá nos dois.

Desfile do 'João Capota na Alves' no ano passado.

A Espetacular Charanga do França poderia ser classificado como pequeno, pela quantidade de gente que vai. Mas entra na classificação de meio-termo, porque a rua que o bloco ocupa é estreita e curta, e o suor alheio se torna parte integrante do evento. É, sem dúvida, o bloco mais hipster da cidade. É tão hipster, que, não bastasse desfilar na Santa Cecília, a concentração é na rua Imaculada Conceição, em frente ao Conceição Discos. Se você não entendeu a piada, essa é, no mínimo, uma razão para ir à Charanga, que sai na segunda-feira. A música boa é outro bom motivo.

Ensaio da 'Espetacular Charanga do França', na semana passada, no espaço Satyros.

Depois do pré-carnaval fora do controle no último fim de semana, é difícil prever quais bloquinhos permanecerão inhos, e quais tomarão proporcionais como o Casa Comigo, que reuniu 750.000 pessoas no Largo da Batata no último sábado. Mas tentaremos fazer algumas apostas para aqueles que gostam de carnaval, mas menos do aperto.

O Monja Monja promete unir brasileiros e espanhóis em frente ao bar Jamón Jamón, em Pinheiros. No som, marchinhas e composições próprias. Estreante na programação, o bloquinho realizou um ensaio na sexta-feira passada com clima família. Unidos Venceremos na Pompeia também promete o mesmo clima intimista, se é que essa palavra orna com carnaval. O Cordão Cheiroso, também promete permanecer modesto. Sai da Vila Ipojuca na segunda-feira.

Se você ainda não montou a sua programação, o aplicativo Blocos de rua organiza seu calendário. Gratuito, o app mostra a programação diária na cidade, com endereço, horário e descrição do bloco, que é possível enviar por WhatsApp para os amigos. Disponível para Android e iPhone.

O bloco 'Acadêmicos do Baixo Augusta', no domingo passado. AFP

Além da multidão do bloco Casa Comigo, o Acadêmicos do Baixo Augusta, outro blocão da cidade, também reuniu milhares de foliões pelo centro, no domingo. Apesar da surpresa do último final de semana, a Prefeitura não informou nenhum esquema diferente de organização para os próximos dias. Algumas estações do Metrô adotarão esquema especial para os dias de carnaval (confira abaixo).

Metrô monta esquema especial

O Metrô de São Paulo montou um esquema especial para o carnaval.
Na linha Amarela, duas estações que passam pelos circuitos de vários blocos estarão com operação diferente:

Estação Faria Lima: A estação tem dois acessos na Avenida Faria Lima. A entrada será pelo lado ímpar da avenida, na esquina com a rua Teodoro Sampaio. No lado externo, haverá um bolsão demarcado por grades com capacidade para aproximadamente 500 pessoas.  A saída será pelo lado par da avenida e um cercado de grades direcionará o fluxo.

Estação Fradique Coutinho: A estação possui dois acessos na Rua dos Pinheiros. O embarque será feito pelo lado ímpar. No lado externo, também haverá um bolsão formado por grades para organização do fluxo. O desembarque será feito pelo portão lateral da Rua Fradique Coutinho.

Nas demais estações, caso o movimento de passageiros chegue próximo ao limite da capacidade da estação, será adotado um segundo nível de controle de fluxo, que prevê a formação de bolsões na parte de fora das estações para a organização do acesso.

Além disso, na quarta-feira de cinzas, a abertura das estações das linhas Azul, Vermelha, Verde e Amarela será antecipada em 40 minutos, para as 4h da manhã. A intenção é atender aos passageiros que chegarão à cidade pela rodoviária. 

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