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Rodrigo Maia é reeleito para presidência da Câmara no primeiro turno

Deputado dos Democratas ainda pode ser retirado do cargo pelo Supremo Tribunal Federal

Eleição Câmara dos Deputados.
Maia comemora sua vitória com aliados. EFE

O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi reeleito presidente da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira. Ele venceu cinco concorrentes ainda no primeiro turno ao obter 293 votos entre os 513 possíveis. Para ganhar nesta primeira etapa eram necessários ao menos 257 votos. Apesar de reeleito, Maia ainda depende de um julgamento do Supremo Tribunal Federal para que consiga concluir o seu mandato em fevereiro de 2019, já que a legalidade de sua candidatura foi questionada na corte.

A escolha encerra uma campanha pela presidência da Casa que mostrou que a base aliada de Michel Temer no Legislativo estava rachada. Porém, com a reeleição de Maia no primeiro turno, os governistas conseguiram juntar os cacos e, aparentemente, sepultaram o Centrão, o grupo de partidos médios galvanizado pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha há dois anos e representado na disputa por Jovair Arantes (PTB-GO), que obteve 105 votos. Maia bateu ainda outros concorrentes, que obtiveram a seguinte votação: André Figueiredo (PDT-CE), 59; Julio Delgado (PSB-MG), 28; Luiza Erundina (PSOL-SP), 10; e Jair Bolsonaro (PSC-RJ), 4.

O reeleito Maia tem adiante uma agenda densa, com o desejo do Planalto de aprovar reformas que devem provocar debate e polarização, a principal delas a reforma da Previdência. Em sua campanha, o deputado do DEM defendeu ainda as reformas trabalhista e política.

Desde julho do ano passado, o agora reeleito Maia comanda a Câmara em um mandato-tampão ao substituir Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que renunciou ao cargo para, em vão, tentar salvar o seu mandato parlamentar. O questionamento judicial contra Maia foi o de que um presidente não poderia concorrer à reeleição dentro de uma mesma legislatura. Ou seja, ele só poderia concorre novamente em 2019, caso ainda seja deputado.

Quatro ações contra a candidatura dele foram apresentadas. Na noite de quarta-feira, o ministro do STF Celso de Mello decidiu não acolher a medida liminar solicitada pelos concorrentes de Maia e o liberou para disputar a reeleição. A decisão, contudo, limitou a validade da candidatura até o julgamento em plenário. Portanto, o Judiciário ainda poderá retirá-lo da presidência da Câmara.

A suposta interferência do Judiciário na eleição foi alvo dos discursos dos seis concorrentes. “Infelizmente, vemos a atuação do Judiciário, mais uma vez. E dessa vez estimulado pelos próprios políticos”, reclamou Maia. “Corremos o risco de abrir precedente perigoso e acabar com eleição de um candidato sub judice. Algo que seria mito ruim para a imagem da Câmara”, discursou Delgado.

A Mesa Diretora da Câmara

Presidente: Rodrigo Maia (DEM-RJ)

1º vice-presidente: Fábio Ramalho (PMDB-MG)

2º vice-presidente: André Fufuca (PP-MA)

1º secretário: Giacobo (PR-PR)

2º secretário: Mariana Carvalho (PSDB-RO)

3º secretário: JHC (PSB-AL)

4º secretário: Rômulo Gouveia (PSD-PB)

A campanha do principal adversário, Jovair Arantes, tinha o tom de defesa com unhas e dentes dos deputados. “Se mexeu com um deputado, mexeu com a Câmara”, afirmou. Entre suas propostas, também havia a de reduzir o horário de votações de projetos de leis e fazer com que as propostas apresentadas pelos deputados não fossem analisadas durante as madrugadas, por exemplo. “Sessões serão encerradas às 21h, impreterivelmente. Aqui não é uma boate para funcionar à noite”.

Apesar do resultado geral positivo para o governo Temer, em que nenhum membro da oposição ocupará uma cadeira da Mesa Diretora, ele teve uma pequena derrota. O candidato oficial de seu partido para a primeira-vice-presidência, Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), perdeu a votação, ainda no primeiro turno, para dois candidatos avulsos (que não contavam com o apoio total da bancada peemedebista). Lúcio é irmão de Geddel Vieira Lima, o ex-ministro de Temer que caiu após a um escândalo. Para a segunda etapa passaram Fábio Ramalho (PMDB-MG) e Osmar Serraglio (PMDB-PR). Ramalho acabou como o primeiro vice-presidente após vencer Serraglio no segundo turno.

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