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Entenda como ficam agora os juros do cartão de crédito

Operadoras só poderão aplicar taxas do chamado crédito rotativo por no máximo 30 dias

Instituições terão até 3 de abril para se ajustar às regras, de acordo com nota oficial

Em dezembro passado, o Governo Michel Temer lançou um pacote de medidas para aliviar a crise econômica e o alto nível de endividamento das famílias, entre elas a decisão de modificar as regras para a cobrança de juros do cartão de crédito, que em 2016 bateram novo recorde chegando astronômicos 484,6% ao ano. Nesta quinta-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) mudou as regras e deu o prazo até 3 de abril para que as instituições financeiras do país se ajustem. A promessa de Temer é que os juros no cartão cairão pela metade.

Como é hoje

Se o alguém não consegue pagar a fatura no dia do vencimento, ele pode optar por pagar um valor mínimo e jogar o restante para quitar em 30 dias. Ocorre que sobre esse valor restante incidem juros altíssimos, além de encargos contratuais. Se no segundo mês, o consumidor também não consegue quitar o saldo devedor, sobre a dívida voltam a incidir as taxas altas e os encargos e assim por diante. É a cobrança de juros sobre juros do crédito rotativo. O valor cresce como uma bola de neve e dificulta o pagamento da dívida.

Como fica

As instituições financeiras tem até 3 de abril para mudar as regras de acordo com as novas diretrizes. Em concreto, o Governo limitou o crédito rotativo a 30 dias. Se o consumidor não pagar o valor restante neste prazo, o banco ou operadora do cartão estará proibido de cobrar mais uma vez as altas taxas sobre o saldo devedor.  Ou o cliente ficará inadimplente ou o banco terá que oferecer ao consumidor uma opção de parcelamento desta dívida, com juros mais baixos. Em geral, os bancos já oferecem parcelamentos, mas só quando a dívida já virou bola de neve ou o cliente deixou de pagar. O BC não vai fixar qual será a taxa de juros desse parcelamento. O Governo diz acreditar que a competição entre os bancos vá puxar as taxas para baixo _o Brasil, no entanto, tem um dos mercados bancários mais concentrados do mundo e é preciso esperar para ver de quanto será o abatimento

O que dizem as operadoras e bancos

A associação de administradoras de cartões, Abecs, elogiou o anúncio. Se, por um lado, as empresas deixam de poder cobrar os juros recordes, por outro, eles esperam diminuir os altos índices de inadimplência. Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, depois de 90 dias de dívidas, as altas taxas deixavam de ser vantajosas para os bancos

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