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Cristo Redentor passa o chapéu

Arquidiocese do Rio, responsável pelo monumento, pede ajuda aos fiéis para manter a estátua

O arzebispo do Rio, Orani Tempesta, no lançamento da campanha para arrecadar fundos.
O arzebispo do Rio, Orani Tempesta, no lançamento da campanha para arrecadar fundos. EFE

A crise financeira enfrentada pelo Rio de Janeiro, onde os servidores públicos já ameaçam parar de trabalhar se não receberem os salários em dia, alcançou uma das Sete Maravilhas do Mundo moderno.

A Arquidiocese do Rio, responsável pela conservação do Cristo Redentor, pede ajuda e convoca os fiéis e os nem tão fiéis — empresários e moradores solidários — para que façam suas doações. Afirma que não tem dinheiro suficiente para manter os gastos relacionados com a estátua de 30 metros de altura, que chegam a 30 milhões de reais por ano. O monumento, por exemplo, é um ímã para as descargas elétricas nos dias de chuva e precisa de reparações constantes, assim como de um novo sistema de para-raios.

A crise está secando todas as fontes de financiamento. As empresas que colaboram com a conservação de uma das estátuas mais famosas do mundo estudam não realizar novos investimentos, a Igreja não consegue novos sócios, e o dízimo está em seus patamares mínimos. Os fiéis sentem a crise, disse o padre Marcos William, coordenador de comunicação da Arquidiocese, a O Globo. “A verba da Igreja, o dízimo, também diminuiu consideravelmente. A queda já é notada em todas as paróquias”, afirmou.

Não deixa de surpreender que o monumento mais visitado do Brasil, com três milhões de visitantes por ano, peça esmola. A entrada ao Cristo Redentor não é barata (68 reais em temporada alta e finais de semana). Parte desse dinheiro vai para os cofres do Governo Federal, gestor do Parque Nacional da Tijuca, onde está o santuário e outra parte é destinada à concessionária de transporte que leva os turistas de vários pontos da cidade ao pico do cerro, 710 metros acima do nível do mar. A Arquidiocese não ganha um centavo, afirma, desse negócio milionário.

O administrador do Parque, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), dependente do Ministério de Meio Ambiente, afirmou após o apelo dos padres que há discussões para que seja firmado um novo acordo — o atual é de 1981 — e inclusive se ofereceu para fazer a manutenção da estátua.

Não é a primeira vez que o Cristo Redentor apela à caridade. Na verdade, vive há 85 anos das contribuições de empresas, fiéis e eventos realizados (casamentos, batizados e comunhões) na capela localizada na base da estátua. Sua construção, de fato, não teria sido possível sem a ajuda de doações populares arrecadadas durante duas campanhas, em 1923 e 1929.