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Greves e medo do terrorismo privam Paris de um milhão de turistas

Atentados, paralisações e o mau tempo causam uma queda de 6,4% nas reservas hoteleiras

Militar em patrulha junto a um grupo de turistas coreanas, na entrada da basílica de Sacré Coeur, em Paris.

O turismo registrou uma queda sem precedentes desde 2010 na Grande Paris, segundo dados do primeiro semestre publicados nesta terça-feira pelo Comitê Regional de Turismo. Os atentados que golpearam o país desde o ano passado, as greves do primeiro semestre e as inundações de junho provocaram uma queda de 6,4% nas reservas hoteleiras — sendo quase 10% entre os turistas estrangeiros — e geraram prejuízos de 750 milhões de euros (2,7 bilhões de reais) ao setor. Ao todo, a região mais turística da França perdeu um milhão de visitantes. No conjunto do país, o número de turistas estrangeiros caiu 7%. O comitê pediu ao Governo medidas relevantes para reagir à crise.

“Temos que tomar consciência da catástrofe setorial que o turismo está vivendo”, diz Frédéric Valletoux, presidente do Comitê Regional de Turismo (CRT) de Paris/Île-de-France, órgão oficial de promoção da região. “Devemos ir além das campanhas de comunicação, embora sejam também necessárias. Precisamos de um plano global para reagir a uma crise em todo o setor”, diz. Propôs medidas fiscais, como ajudas ao investimento, e solicitou uma reunião urgente do ministro de Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, e profissionais do setor. “É preciso investir maciçamente e desde já neste setor que emprega 500.000 pessoas em Paris e na região da Île-de-France, se não quisermos assistir a uma série de planos de demissões sem precedentes”, alertou.

Ayrault respondeu anunciando que reunirá no começo de setembro um comitê setorial de urgência econômica. Ao todo, o número de turistas estrangeiros caiu 7% em todo o país, com cifras relativamente estáveis na maioria das regiões e “uma fragilidade do destino Paris”. Ele atribui essa queda ao efeito combinado dos atentados, das greves do primeiro semestre, do mau tempo e, no caso de Paris, de “preços muito altos”. O Governo, que depois dos atentados de novembro na capital destinou um fundo de um milhão de euros à promoção turística no exterior, desbloqueará outros 500 milhões para melhorar a imagem da capital e da Côte d’Azur, que também sofre os efeitos do atentado de julho em Nice.

Em Paris e sua região, a situação é especialmente alarmante, segundo os dados do CRT. Nos seis primeiros meses do ano, os hotéis receberam 14,9 milhões de turistas, 6,4% a menos que no mesmo período do ano anterior. A queda é particularmente importante entre a clientela internacional, que retrocedeu 9,9%, enquanto a francesa diminuiu 3,5%. O público japonês, mais sensível ao contexto de segurança, caiu fortemente, 46,2%; o russo, 35%; e o italiano, 27,7%. Os turistas norte-americanos e chineses, em princípio menos suscetíveis à tendência, caem respectivamente 5,7% e 19,6%, no que constitui um “ciclo preocupante de queda”. A clientela espanhola por sua vez diminuiu 5,1%.

A deserção dos turistas se faz sentir no conjunto do setor turístico, como demonstra a queda de afluência a monumentos e museus: o Grand Palais perdeu 43,9% de visitantes, o Arco do Triunfo, 34,8%, e Versalhes, 16,3%. O CRT estima em 749,7 milhões de euros (2,7 bilhões de reais) o impacto econômico em todo o setor na região.

Durante o verão boreal, a tendência de baixa se manteve, segundo o CRT, embora ainda não haja dados consolidados. Apesar de tudo, o setor conta com o turismo de negócios, graças aos numerosos congressos e reuniões de trabalho que a região acolhe, para fechar um mês de setembro mais positivo. Entre os profissionais do setor, 38% consideram bom ou muito bom o nível de reservas para o mês de que vem, 43% acham regular, e 19% o consideram ruim ou muito ruim.

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