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A voraz vida sexual de Mick Jagger (que será pai pela oitava vez aos 73)

O biógrafo de Mick afirma que o roqueiro já fez sexo com 4.000 mulheres (e um ou outro cavalheiro)

Mick Jagger e Anita Pallenberg durante a rodagem de 'Performance', em 1970. Reuters-Quality

Mick não gosta que eu fale com as mulheres dele, elas sempre acabam chorando no meu ombro porque ficam sabendo que ele anda por aí com uma nova conquista. Quantas lágrimas Jerry Hall, Bianca, Marianne e Chrissie Shrimpton derramaram sobre estes ombros! Destruíram várias camisas minhas.”

Quem diz isso é Keith Richards (72 anos), guitarrista e parceiro de Mick Jagger nos Rolling Stones, onde nutrem uma relação de amor e ódio. Richards coloca esta confissão, preto no branco, nas páginas da sua autobiografia, editada há pouco mais de cinco anos, onde Mick é descrito como um indivíduo sexualmente insaciável, de voracidade infinita e irremediavelmente mulherengo. E algo disso deve ser verdade, pois acabamos de saber que o cantor britânico, que completa 73 anos na próxima terça, espera para o começo de 2017 o nascimento do seu oitavo filho. A mãe desta vez é Melanie Harmick, bailarina de 29 anos do American Ballet Theatre, com quem Jagger iniciou uma “relação aberta” pouco depois do suicídio, em 2014, da estilista L’Wren Scott, com quem ele esteve durante 13 anos.

Fazendo contas, os números são eloquentes: um balanço de oito filhos, hoje com idades entre 45 e 17 anos, de cinco mulheres diferentes – Karis (de sua relação com Marsha Hunt), Jade (com Bianca Jagger), Georgia, James, Elizabeth, Gabriel (com Jerry Hall) e Lucas (com Luciana Gimenez). Para coroar essa árvore genealógica intrincada e variada, o infatigável vocalista dos Stones tem ainda dois netos e uma bisneta de dois anos. Mas não vamos falar dessa frondosa ramagem, e sim do fecundo e abundante tronco do qual tudo nasce, ou seja, da opípara fogosidade do bisavô mais sexualmente ativo (que se saiba) do rock.

Mick Jagger e Marianne Faithfull, depois de deporem num tribunal por posse de drogas, em 1969, quando eram casados.
Mick Jagger e Marianne Faithfull, depois de deporem num tribunal por posse de drogas, em 1969, quando eram casados. Cordon

Vejamos algumas questões que sugerem um caráter tão assertivo quanto indubitavelmente brincalhão de Mick, um pequeno grande vaidoso que não achou graça nenhuma em ver seus modestos dotes serem ridicularizados por Keith em suas memórias. “Marianne não tinha como se divertir com o seu amiguinho. Sei que ele tem um par de bolas enormes, mas não consegue encher o vão entre elas”, escreveu Richards.

O adolescente Mick já sabia o que queria

A mãe de Keith Richards, Doris Dupree Richards, narrou esta pérola na autobiografia do filho, onde fica claro que desde adolescente o futuro vocalista sabia bem o que lhe interessava: “Um verão, levamos Keith e Mick para passar um fim de semana em Beesands, Devon. Deviam ter uns dezesseis anos, dezessete no máximo – estamos no final dos anos cinquenta, portanto. Mick estava de saco cheio. ‘É que não tem meninas, não tem meninas’, se queixava. A verdade é que não tinha ninguém.”

Sabia o que queria e achou

Cleo Sylvestre foi a primeira namorada mais ou menos oficial de Mick, no começo dos anos sessenta, mas a relação não se consolidou. Isso só foi acontecer em 1963, com Chrissie Shrimpton, uma moça de 17 anos que acompanhou o futuro astro durante os anos cruciais em que os Stones começaram a fazer sucesso e a serem perseguidos pelas garotas. “Andávamos pela rua e, se ele via algumas fãs, soltava rapidamente a minha mão e continuava andando como se não estivéssemos juntos”, recorda ela no livro Mick Jagger, de Philip Norman. A relação entre ambos acabou quando, em 1966, entrou em cena a próxima mulher de Mick, Marianne Faithfull, cuja primeira aparição foi entrando numa concorrida festa, como descreve Norman em seu livro: “Quando Mick e Andrew (Loog Oldham, empresário do grupo) chegaram, disseram em uníssono: ‘Quero trepar com ela’. As namoradas deles não entenderam bem e perguntaram o que haviam dito, e eles responderam que queriam gravar com ela.

Mick Jagger e Jerry Hall em 1983, em Barbados. Eles se casaram em 1990 e se divorciaram em 1999. Têm quatro filhos juntos. Recentemente 2016, Hall se casou com o empresário Rupert Murdoch.
Mick Jagger e Jerry Hall em 1983, em Barbados. Eles se casaram em 1990 e se divorciaram em 1999. Têm quatro filhos juntos. Recentemente 2016, Hall se casou com o empresário Rupert Murdoch. Cordon/The Sun

Dormiu com a mulher de Brian Jones

Morto aos 27 anos, em 1969, Brian Jones deixou para trás vários rabos de saia e uma procissão de filhos, seis deles reconhecidos. Mas, numa noite de 1962, provou do seu próprio veneno quando Mick teve uma relação com sua então namorada, relata Keith Richards na sua autobiografia. “Mick tinha ido procurar Brian uma noite, completamente bêbado. Só que ele [Brian] não estava, e ele [Mick] se jogou para cima da namorada dele. Aquilo provocou um terremoto, Brian ficou furioso de verdade, e no final ela o deixou. Ele, além disso, foi expulso do apartamento. Mick, que se sentia responsável, encontrou-lhe outro, numa casa deteriorada em Beckenham.”

Brincadeiras perigosas com a garota de Keith

Anita Pallenberg foi namorada de Brian Jones até iniciar, em 1967, uma relação com Keith que duraria até 1980. Mas lá por 1968 o cineasta Donald Cammell (ex-marido dela) a escolheu para protagonizar com Mick Jagger o filme Performance, e aí surgiram os problemas. “Demorei para ficar sabendo, mas já farejava. Mick não disse nada, mas aquilo abriu uma distância considerável entre nós. Não era a primeira vez que competíamos por uma mulher. Mas, quer saber? Eu enquanto isso estava pegando a Marianne Faithfull. Ficava elas por elas. De fato, um dia tive que ir embora da casa de forma bastante abrupta quando Mick apareceu”, rememora com ironia, como de costume, o pirata-guitarrista.

Pediu a uma amante que tivesse seu primeiro filho

Em 1968, enquanto estava com Marianne Faithfull, Mick se interessou por Marsha Hunt, atriz e cantora afro-americana no elenco londrino do musical Hair. Iniciaram uma relação paralela até que Marianne deixou o músico, em 1970, momento no qual ele propôs a Marsha ter um filho (o primeiro da sua conta). Ela aceitou, como se fosse uma barriga de aluguel, pois Mick mantinha relações com outras, e inclusive nessa época se apaixonou por sua futura esposa Bianca. O entusiasmo inicial de Mick foi diluindo à medida que ele se enamorava de Bianca, chegando ao extremo de ignorar as necessidades de Marsha e sua filha, Karis, que nasceu em 4 de novembro de 1970. Embora ela inicialmente não tenha lhe pedido nada, tanto desdém terminou irritando a mãe, que revelou o segredo da paternidade de Jagger, e tudo terminou na clássica confusão de advogados, até que conseguiram chegar a um acordo meses depois.

Mick Jagger e Bianca Pérez, no dia do seu casamento, na França, em 1971. Ele tinha 28 anos, e ela, 26. Separaram-se em 1979, depois de terem uma filha, Jade. Ao fundo, se vê Keith Richards conversando com uma moça.
Mick Jagger e Bianca Pérez, no dia do seu casamento, na França, em 1971. Ele tinha 28 anos, e ela, 26. Separaram-se em 1979, depois de terem uma filha, Jade. Ao fundo, se vê Keith Richards conversando com uma moça. Cordon

Polígamo de carteirinha

Nem mesmo enquanto esperava seu primeiro filho Mick foi monogâmico. Durante todo aquele verão, assim como antes do final do relacionamento com Marianne, uma interminável sucessão de mulheres passou por sua vida. “Umas ficaram só uma noite, ou menos. Outras um fim de semana. E uma ou outra encontrava a maneira de integrar o pessoal de Mick, majoritariamente feminino. Costumavam ser norte-americanas, geralmente da Califórnia, de 22 anos e com uma conduta sexual livre e desinibida, que as britânicas ainda não tinham aprendido”, relata Norman na sua biografia de Jagger, onde também afirma que a situação continuou igualmente promíscua mesmo depois do casamento com Bianca.

Sua atração intelectual por Bianca Jagger

Ao conhecê-la, Mick viu em Bianca uma jovem enigmática e bela, muito diferente de todas aquelas insossas californianas. Ela não sabia nada de rock e achava esse universo bastante infantil. Para Mick, no começo, isso era parte do irresistível charme com o qual ela havia enredado o roqueiro. De fato, Bianca não acatava essa norma segundo a qual quando os Stones estavam gravando suas damas esperavam pacientemente. Então entrava no estúdio, olhava Mick com um brilho ardente nos olhos, e ele interrompia o trabalho para ir com ela para Paris, às vezes por vários dias, onde se misturavam com as celebridades e o vocalista ficava fascinado com o aprendizado do idioma francês. O feitiço com essa mulher valente, que chegou a lhe dar um tapa em público, durou oito anos, muito tempo em se tratando de Mick Jagger.

Seu frustrado ‘swing’ com Rod Stewart

Mick e Bianca se casaram em 1971. Naquela época havia muito movimento na casa de Ron Wood (que ainda estava no Faces, não nos Stones), uma mansão chamada The Wick, pela qual passaram Elton John, Keith Richards, Pete Townsend, Mick Jagger, Paul McCartney, Rod Stewart e muitos outros. Embora a lembrança possa ser difusa, Rod Stewart conta em sua autobiografia que Mick lhe propôs uma troca de casais na The Wick, com o envolvimento de Bianca e da namorada de Rod, Dee Harrington. “Suponho que sempre seja agradável que lhe peçam isso e reconfortante que alguém repare em você, mas a troca de casais nunca foi do meu agrado”, esquiva-se Stewart.

A modelo brasileira Luciana Gimenez com Lucas, filho dela com Jagger. A imagem é do Carnaval de 2013 no Rio.
A modelo brasileira Luciana Gimenez com Lucas, filho dela com Jagger. A imagem é do Carnaval de 2013 no Rio. Cordon

O trio com David Bowie

Mick assistiu ao show de julho de 1973 no qual David Bowie matou seu alter ego Ziggy Stardust, no Hammersmith Odeon, em Londres. Na festa subsequente, para pasmo de uma sala cheia de celebridades, Jagger deu um beijo no rosto de Bowie. Os rumores de que o líder dos Stones ia para a cama com Bowie e com sua então mulher, Angie Barnett, começaram a ser constantes. Apesar de nunca ter havido provas da relação de Mick com o casal Bowie, Angie revelou que certa vez chegou em casa de surpresa e flagrou os dois na cama. Através de porta-vozes e advogados, ambos negaram o relacionamento homossexual, mas parece evidente que gostavam de pelo menos estimular as especulações, pois há inclusive uma foto em que aparecem sugestivamente abraçados num sofá.

Amante incorrigível

Bianca terminou pedindo o divórcio em 1978, alegando adultério. Algo que, além de ser totalmente certo com dezenas de garotas, era evidente, porque Mick estava oficialmente já havia alguns meses com Jerry Hall, que seria sua mulher até 1999 e com quem teria quatro filhos. Foi, sem dúvida, sua relação mais duradoura, embora suas tendências mulherengas se mantivessem, com maior ou menor intensidade segundo a época. De novo é Keith Richards quem compartilha, em sua autobiografia Vida, uma lembrança que seguramente lhe parece ainda mais divertida do que já é: “Um dia Jerry Hall me aparece com um bilhete de outra mulher que ela havia encontrado nas coisas do Mick, escrito de trás para frente, mas que colocando na frente do espelho dava para ler perfeitamente: ‘Serei sua amante para sempre’. Que safado esse cara!”.

Mick Jagger com a estilista L'Wren Scott, em 2007. Eles começaram a namorar em 2001 e ficaram juntos até que ela se suicidou, em 2014
Mick Jagger com a estilista L'Wren Scott, em 2007. Eles começaram a namorar em 2001 e ficaram juntos até que ela se suicidou, em 2014 Cordon

A noite louca com a brasileira Luciana Gimenez

Jerry Hall seria a companheira oficial de Mick de 1977 a 1999. Anos igualmente loucos, que desandaram durante a turnê Bridges to Baylon, época em que Mick se enroscou com Angelina Jolie. Após vários meses de relacionamento (segundo Andrew Morton, biógrafo dela), no começo de 1998 ele pediu que ela fosse encontrar a banda no Brasil, mas ela recusou. O cantor se consolou com uma modelo brasileira de 29 anos, Luciana Gimenez Morad, que revelaria depois que eles passaram oito meses se encontrando e que ela estava grávida (do sétimo filho dele). Aí chegou um pedido de reconhecimento da paternidade, a ser acompanhado por uma bolada de cinco milhões de libras (21,4 milhões de reais, pelo câmbio atual) para a manutenção da criança, Foi a gota d’água para Jerry Hall, que até então se resignava a um casamento aberto apenas para uma das partes. Ela pediu o divórcio em janeiro de 1999, apontando os “repetidos adultérios” do marido.

O romance com L’Wren Scott que acabou em suicídio

Dois anos depois do abrupto final do relacionamento com Jerry (as manchetes da imprensa foram desumanas), Mick encontrou outra vez a estabilidade com a estilista L’Wren Scott. Ficaram juntos até que ela se suicidou, em 2014, o que mergulhou o artista numa profunda depressão e obrigou os Stones a interromperem momentaneamente sua turnê. A morte de L’Wren continua sendo um mistério, cercada por especulações sobre problemas econômicos (pouco prováveis) e infidelidades (talvez algo mais factível, como estamos vendo). Seja como for, o cantor herdou toda a fortuna da estilista, logo retomou os shows e refez sua vida, aparecendo em revistas, apenas três meses depois, na companhia de uma jovem em Zurique.

A mãe do oitavo filho não é sua namorada

Poucos meses depois do suicídio de L’Wren Scott, Jagger iniciou uma relação com Melanie Harmick, uma bailarina 44 anos mais nova que ele. Acaba de ser anunciado que a jovem com quem ele foi vista em junho de 2014 será a mãe do oitavo filho dele, que deve nascer no começo de 2017. Inicialmente, Melanie foi apontada como atual namorada, mas os tabloides ingleses foram tirar isso a limpo, e o Daily Mirror publicou que, segundo uma fonte muito próxima, não são oficialmente namorados, pois mantém uma “amizade com direito a se esfregar”, dessas que Mick tanto aprecia.

A futura mãe do oitavo filho de Mick Jagger. Chama-se Melanie Hamrick, tem 29 anos e é bailarina do American Ballet Theatre.
A futura mãe do oitavo filho de Mick Jagger. Chama-se Melanie Hamrick, tem 29 anos e é bailarina do American Ballet Theatre.

Suas relações fugazes com as estrelas

Além dos namoros mais ou menos prolongados e mais ou menos (surpreendentemente) estáveis, o velho roqueiro manteve relações com milhares de mulheres anônimas, assim como com algumas outras mais populares. Segundo seu biógrafo Chris Anderson, Jagger já fez sexo com mais de 4.000 mulheres, às quais é preciso acrescentar um ou outro cavalheiro, como David Bowie. “E acredito que fiz uma estimativa conservadora”, observa o pesquisador. Nesse mar de saias se destacam figuras conhecidas, como Angelina Jolie, Carla Bruni, Carly Simon, a princesa Margaret da Inglaterra, Tina Turner, Uma Thurman, Farrah Fawcett, Margaret Trudeau (mãe do atual primeiro-ministro do Canadá, então esposa do primeiro-ministro Pierre Trudeau) e a modelo Janice Dickinson, aquela que proclamou ao mundo que Jagger tinha “um pênis muito pequeno”, coincidindo com a opinião de Keith. Na lista bem poderia estar também Katy Perry, mas ela mesma contou há três anos que Mick tentou seduzi-la – desta vez sem sucesso.

Por que Mick Jagger não escreveu uma autobiografia?

Apesar de ser um negócio mais do que lucrativo para as estrelas, Mick Jagger é dos poucos músicos veteranos que não se animaram a escrever suas memórias. Talvez não tenha recebido nenhuma oferta suficientemente tentadora, ou prefira ocupar seu tempo com outros interesses. A esta altura, parece não ter vontade de recordar as tentativas de suicídio de duas ex, Chrissie Shrimpton e Marianne Faithfull. Ou, como diz Philip Norman em uma passagem da sua biografia do célebre roqueiro, “como sempre, sua típica frieza o impediu de contar a verdadeira história ou de permitir que outro a contasse. Então, mais uma vez, o mundo não pôde pensar nada de pior sobre ele”.

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