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PIB do Brasil recua 5,4% e confirma maior recessão em 25 anos

Todas as atividades apresentaram queda no primeiro trimestre do ano. Em comparação aos três meses anteriores, a economia encolheu 0,3%

Com uma taxa de desemprego de dois dígitos, aumento do endividamento e dos preços no supermercado, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta quarta-feira (1) confirmam o que o brasileiro vem sentindo na pele e no bolso nos últimos meses: a economia enfrenta sua pior recessão em 25 anos. O PIB encolheu 5,4% no primeiro trimestre de 2016, em comparação ao mesmo período do ano passado, a oitava queda consecutiva. Já em relação ao último trimestre de 2015, a queda foi de 0,3%. Em valores correntes, o PIB totalizou 5,94 trilhões de reais.

PIB do Brasil recua 5,4% e confirma maior recessão em 25 anos
Agência Usp

Desta vez, todas as atividades que compõem o PIB apresentaram queda, até a agropecuária, que vinha contribuindo positivamente para o indicador nos trimestres anteriores, descolado da recessão que atingia os demais setores. A atividade no campo se contraiu 3,7% no trimestre de 2016, frente ao mesmo período do ano passado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado é explicado pelo desempenho ruim na safra de alguns produtos, como o milho.

A indústria, por sua vez, manteve a trajetória de queda, com recuo de 7,3%, puxada pela menor produção de máquinas e equipamentos, do setor automotivo e de metalurgia. Esse dado afeta, inclusive, a taxa de investimentos, que despencaram 17,5%, a oitava queda trimestral consecutiva.  Os dados divulgados nesta quarta revelam que nos três primeiros meses do ano as empresas ficaram em compasso de espera com o futuro do país diante da ameaça de impeachment da presidenta Dilma, que acabou se confirmando em maio. O pedido de destituição da mandatária foi aceito pela Câmara de Deputados em dezembro do ano passado e as negociações para a sua saída se intensificaram desde então.

A construção civil também sentiu o impacto do menor investimento, e se retraiu 6,2% no período. Com menos poder de renda, mais desemprego e temeroso com o cenário nacional, o consumidor também deixou de comprar. O setor de serviços teve queda de 3,7%  no primeiro trimestre, influenciado pela queda de 10,7% no comércio.

Pelo quinto trimestre seguido, o consumo das famílias apresentou resultado negativo. No primeiro trimestre de 2016, o consumo das famílias caiu 6,3%. Segundo o IBGE, o resultado é explicado pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo do período.

Comércio internacional

Apenas no setor externo o PIB registrou um bom resultado. As exportações foram o único item a apresentar aumento no nível de atividades no primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período do ano anterior.

As exportações de bens e serviços cresceram 13%, puxadas pela melhoras dos preços das commodities no mercado internacional e da desvalorização cambial. Por outro lado, as importações de bens e serviços caíram 21,7%.

Ainda que os resultados do PIB apontem para a deterioração da economia nos últimos dois anos, o mercado estava esperando uma queda ainda maior. As projeções de economistas consultados pela Bloomberg eram de uma retração de 5,9% no PIB, frente ao primeiro trimestre de 2015, e de 0,8% em relação ao quarto trimestre do ano passado.Os economistas do Bradesco esperavam queda de 5,8% e 0,7%, respectivamente.

Para o economista Juan Jensen, do Insper, os dados divulgados nesta quarta, que vieram "menos piores" do que o esperado pelo mercado, já trazem sinais de melhoria da economia. Se antes o consenso era de que o PIB encerraria 2016 com uma queda de 3,8%, agora é possível esperar um tombo um pouco menor, mais próximo de 3%.

Segundo ele, se o setor externo estivesse menos favorável, o PIB do primeiro trimestre teria vindo pior. "Com a queda forte do consumo dentro do país, pressionada pela inflação, as empresas se voltaram para as exportações, favorecidas pelo câmbio", explica.

A retomada do mercado de trabalho e dos investimentos, entretanto, deve ser mais lenta. "As empresa não estão trabalhando com o máximo de suas capacidades, ou seja, há funcionários fazendo jornadas menores e máquinas sem utilização. Isso deve postergar a retomada dos investimentos e, consequentemente das contratações, mesmo com sinais de melhora da economia", afirma. Nesse sentido, o desemprego tende a se manter elevado ainda este ano e, somente em 2017, voltar a cair.

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